
Em maio de 1971 o grande Marvin Gaye nomeava um de seus melhores discos com uma pergunta: What’s goin’ on; seis meses depois Sly Stone e sua família respondiam: There’s a riot goin’ on.
O sarcasmo usado para dar nome a seu quinto álbum se juntou ao cinismo e à desilusão com o rumo da América onde viviam, e assim trupe Stone criou à base de muita cocaína e grooves tortos um trabalho que os desconectou de tudo que haviam feito antes e de tudo que criariam depois.
O desencanto com a revolução flower power que deu força a Stand!, de 69, fez com que o grupo californiano – e em especial seu líder – mergulhassem num universo truncado, de decadência narcótica. There’s a riot…é tão funky e psicodélico quanto seu antecessor, mas a fluidez e a celebração de outrora deram lugar à estruturas fraturadas e à paranóia quase palpável, densa.
Enfim, como já foi dito, este disco é um ponto de ruptura na discografia da família Stone e um marco na música universal. Depois dele a banda ainda lançaria belos álbuns, mas aqui chegaram no topo do morro; depois seria ladeira abaixo, até o caldo desandar de vez.
No mais, aumente o volume a aperte o play porque, enfim, There’s a riot goin’ on…

