Por Camila Di Franco

Rock progressivo britânico conta sua história em apenas uma faixa.

Lançado em 1972, Thick As a Brick foi o quinto álbum lançado pelos britânicos do Jethro Tull. Foi também o primeiro álbum que contemplou a verdadeira essência do rock progressivo. Dividida em duas partes, a única faixa do disco conta uma história que dá espaço para a criatividade para diferentes instrumentos da banda. As harmonias oitavadas com guitarra e órgão, a mudança de tempo e, é claro, a inconfundível flauta transversal tocada divinamente pelo frontman da banda, Ian Anderson, compõem uma obra prima.

Apesar de ter sido lançado após o mais famoso álbum da banda, Aqualung, Thick As a Brick é quase um desabafo de Ian Anderson no qual ele critica e aponta diversos comportamentos sociais daquela época. Assim como nas músicas do contemporâneo Pink Floyd, as letras atacavam o funcionamento do ‘sistema’ que regia a sociedade, principalmente, em relação à Guerra do Vietnã (1955-­1975). A letra da música/álbum conta a história de um jovem que vê duas possíveis carreiras: ser artista ou um soldado de guerra, como seu pai.

O encarte original do LP lançando na Inglaterra é, na realidade, um jornal de 12 páginas chamado “St. Cleve Chronicle and Linwell Advertiser”. Com a data de 7 de Janeiro de 1972, conta com a seguinte notícia principal: Gerald Bostock de 8 anos escreveu um poema épico para uma competição mas foi desclassificado. Em uma das páginas do jornal, o poema escrito vem com a história de que Ian Anderson, membro do Major Beat Group Jethro Tull fez 45 minutos de ‘pop music’ para acompanhar a leitura do mesmo.

Com alguns dos versos repetidos, Thick As a Brick não apresenta um refrão claro que todo mundo canta junto no final. O álbum não tem esse objetivo. Assim como discos de outros grandes grupos do Rock Progressivo britânico como Tommy, do The Who e The Wall, do Pink Floyd, o álbum do Jethro Tull quer contar a história de um anti herói.

Além de todo o seu conceito e significado, Thick As a Brick é rico em sua música. A história de um anti herói é ditada pelo ritmo dos instrumentos que criam nuances de dinâmicas em pontos altos ou baixos da história de Gerald Bostok. Assim, esse clássico perdido merece ser ouvido várias e várias vezes para que seus detalhes sejam aos poucos revelados.


Uma resposta a “Jethro Tull – Thick As a Brick (1972)”

  1. Roberto Garcia Morrone

    Clássico maravilhoso! Comprei a edição comemorativa de 25 anos, e estava maravilhado olhando esse jornal que vem no encarte do box. Mais um álbum fantástico de uma banda absolutamente magnífica!

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