Ladytron – Gravity The Seducer (2011)

 

Quando o Ladytron surgiu, em 1998, a onda de revivalismo do synth pop e de seu lado escuro, a cold wave, ainda não era a moda vigente. Hoje, passados 16 anos, muitas são as bandas que projetam no grande muro que é a música os slides restaurados de imagens de 25, 30 anos atrás – dos radiofônicos arrumadinhos aos esquisitos do undergound. E há, ainda, o Ladytron.

 

 

O quarteto de Liverpool chegou em 2011 a seu quinto álbum ainda com fôlego para correr atrás dessa nova leva de grupos e mostrar que pode deixá-los comendo poeira, retomando de certa forma o que começaram em seus dois primeiros discos (604 e Light & Magic, de 2001 e 2002). Um retorno às origens e um distanciamento tanto da sonoridade mais roqueira de Witching Hour (2005) quanto do industrial Velocifero, de 2008.

Gravity the Seducer é um álbum que apesar da aura gelada – presente em tudo que o Ladytron sempre fez – é leve; não todo adocicado como pode parecer ouvindo sua primeira faixa, “White elephant”, algo como um híbrido de Carpenters e Abba, mas de uma forma geral é sim de fácil digestão.

 

 

As coisas ficam realmente interessantes à partir da terceira música, “White gold”, que emula a citada cold wave e pistas de porões góticos, com vocais pra lá de frios, sintetizadores idem e beats lentos gerando uma canção densa, desesperada.

Na sequência, dois momentos mais ‘pra cima’ em Gravity the Seducer: “Ace of hz” (que está no game Fifa 2011) e “Ritual”; a primeira bem pop e a segunda com cara de pós rock à Stereolab, instrumental como a ambient music de “Transparent day” e a ‘Kraftwerkiana‘ “Aces high”.

“Ambulances” é a prova de que o Ladytron não deve nada a seus pares mais jovens: é quase como o que se chama de witch house, meio etérea, meio fantasmagórica, mas com contornos próprios; e precede o hit em potencial “Melting ice”, híbrido entre chiclé e pedra de gelo, outra marca da banda nesses anos de carreira.

 

 

Em linhas gerais a palavra para Gravity the Seducer parece ser melancolia. Esse sentimento aliado a sua produção retro-futurista o torna um trabalho sombrio, feito para dias de inverno em que o céu pode até estar azul, mas com a temperatura máxima próxima de zero.

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