The Knife – Shaking The Habitual (2013)

Os irmãos suecos Olof e Karin Dreijer formaram o The Knife em 1999, quando a música eletrônica já não era mais conversa de guetos e muitas de suas formas mais experimentais já andavam soltas pelo mundo, via Warp e outros selos da mesma linhagem. Nesse estranho ninho encontraram seus fãs e por ali vêm seguindo desde seu primeiro e homônimo álbum, lançado em 2001.

Em 2013 a dupla volta à carga com um novo e intrincado trabalho, lançado no começo de abril via Rabid Records. Com vocês, Shaking the habitual.

“Full of fire”, primeiro single do álbum

O disco (CD duplo, vinil triplo) vem sendo anunciado desde dezembro passado, e seus dois primeiros singles (“Full of fire” e “A tooth for an eye”) saíram respectivamente em janeiro e março. Coincidentemente ou não, são duas das faixas mais palatáveis de Shaking the habitual; a primeira, uma pancada para pistas de dança sinistras com 9 minutos de duração, emulando diretamente wonky techno e gettho tech dos anos 90; a segunda bem percussiva, quase tribal, com um ou dois ‘quês’ de Bjork.

Essas duas verves ‘pop’ voltam à tona em outros momentos do álbum (“Networking”/”Stay out of here”, “Without you my life would be boring”), que tem impressionantes – e exagerados – 100 minutos de duração. Esse exagero se deve, obviamente, aos 19 minutos de “Old dreams waiting to be realized”, uma longa pausa no meio do disco que só pode ser definida como não-música. Ou uma maneira de tirar o ouvinte de sua zona de conforto.

Porque mesmo essas experimentações mais cabeçudas e aparentemente sem razão de ser têm um sentido claro para o Knife em Shaking the habitual: o álbum, cujo título foi tirado de um texto de Michel Focault, tem como fio condutor a revolta do duo contra o estabilishment. Se para Karin e Olof ‘a música pode ser algo sem um sentido, apenas som sem mensagem’, este seu novo disco aponta – das formas mais estranhas e subliminares, é bom dizer – para o lado oposto, da música influenciada pela literatura política.

O fato de serem avessos a mostrar os rostos sempre demonstrou um viés anti-consumista, uma postura contra o uso deliberado da imagem, e agora são ainda mais radicais e sua metralhadora gira em várias direções, mirando os valores tradicionais da sociedade e os pilares do Estado. No vídeo abaixo eles explicam – ou tentam explicar – melhor suas ideias.

Adentrar nesse emaranhado que é Shaking the habitual exige tempo. Sete anos o separam de Silent shouts, então já era de se esperar que o The Knife não retornasse com fast food de fácil digestão para as massas, mas sim com uma obra desafiadora, inconstante para os padrões quadrados do mercado e chata para os ouvidos acostumados ao mais do mesmo.

Enfim, eis uma jornada que pode ser tanto assustadora quanto transformadora, dependendo da forma que é encarada. Um conselho? Vá sem medo!

Altamente recomendado!

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2 comentários sobre “The Knife – Shaking The Habitual (2013)

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