Yeah Yeah Yeahs – Mosquito (2013)

O Yeah Yeah Yeahs surgiu num momento em que muitas outras bandas surgiram, momento esse que graças a algum jornalista acabou se tornando uma ‘cena’ chamada novo rock. Strokes, Interpol, Hives e mais um monte de gente apareceu como a salvação do gênero que já havia sido salvo por Kurt Cobain e por outros antes dele.

Histórias pra boi dormir à parte, o lance é que o novo rock morreu jovem, e se os Strokes eram algo como líderes desse ‘movimento’, a morte foi bem, bem dolorosa. Mas dessas bandas hypadas (porque fora desse círculo de sucesso é que aconteceram coisas realmente interessantes, como o Clinic) algumas sobreviveram bem, e um exemplo claro é o próprio YYY, que acaba de lançar seu quarto álbum, Mosquito.

O disco saiu oficialmente em 16 de abril pela Interscope, e vem sendo chamado por aí de ‘o retorno do Yeah Yeah Yeahs ao rock and roll’ e coisas do tipo, mas pra mim duas coisas são fundamentais pra se falar de Mosquito nesses termos: primeiro, nunca os achei ‘roqueiros’ ao pé da letra; segundo, com exceção a “Area 52” e talvez (a dançante) “Mosquito” e “Despair”, nada me soa exatamente rock and roll no álbum.

Ok, se for compará-lo a It’s blitz! – seu antecessor – ele é quase heavy metal, já que aqui se ouve os instrumentos ‘tradicionais’ desse tal de roque, mas convenhamos que “Sacrilege” está mais para Madonna que para uma guitar band, não?

Falando assim pode parecer que não gostei de Mosquito, mas é justamente o contrário. Essa guinada do YYY em sua sonoridade e os muitos caminhos seguidos pelo trio – ou quinteto, se adicionarmos aí os produtores David Sitek e Nick Launayno – me agradaram nesse disco. Mesmo que essa guinada e esses caminhos não sejam exatamente novidades.

Karen O, Nick Zimmer e Brian Chase trazem à tona no álbum velhos conhecidos (pós-punk, Siouxsie, dance, eletronices, histeria, algum barulho, algumas experimentações – dentre elas um tanto de dub e outro de hip hop, aí sim novidades), com uma pegada mais orgânica e menos afetada que a de It’s blitz!, mas também sem a selvageria sexy de “Art star”, minha música preferida deles, lá de 2001.

Enfim, colocado assim na balança, Mosquito é um trabalho irregular, sem coesão entre suas faixas, mas quem busca essas duas características pode voltar a ouvir It’s blitz!. Como já disse por aqui, passei anos sem gostar de Yeah Yeah Yeahs, mas agora gosto de novo. Pelo menos até o próximo disco.

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