Iggy And The Stooges – Raw Power (1973)

Discussões sobre quem inventou o punk são o tipo de conversa que só estando muito bêbado para se levar adiante, já que nunca levam a lugar nenhum. Teria sido Velvet Underground, MC5, David Bowie, New York Dolls, Stooges, ou ainda as bandas da british invasion? Na real, quem se importa, desde que ele – o punk – tenha sido inventado?

Negócio é que em 1972, anos antes de o tal do punk nascer ‘oficialmente’, Iggy Pop, um de seus possíveis pais, estava na merda. Os Stooges se desintegravam enquanto o iguana se afundava rapidamente nas águas pantanosas do vício em heroína. Aí, resumidamente, entra em cena o também viciado – mas esperto – David Bowie.

Trans-Europe Express

Novamente resumindo a história, Bowie levou Iggy e o então nomeado guitarrista dos Stooges, James Williamson, para a Inglaterra a fim de reintegrar a banda e gravar um novo álbum pela Columbia, que – provavelmente sob a influência de David – aceitou contratar o grupo. Mas após testar vários músicos ingleses Iggy, seguindo um conselho de Williamson, decidiu chamar novamente seus (quase ex) amigos Ron e Scott Asheton para o registro daquele que seria o último disco da banda, agora chamada Iggy and The Stooges, o caótico Raw power.

Gravado em menos de um mês, entre setembro e outubro de 1972, Raw power primeiramente foi produzido e mixado pelo próprio Iggy, mas o resultado desagradou Tony DeFries (chefe da MainMan, que gerenciava a carreira de Bowie); a bola foi passada então para o camaleão, que remixou todo o álbum – com exceção de “Search and destroy”, única faixa pela qual Iggy bateu o pé – em um dia. Em 1997 uma terceira mixagem, feita novamente por Iggy e novamente para a Columbia trouxe à tona uma nova edição de Raw power.

Mas não é só isso: em 1995 pipocava mundo afora outra versão do disco, chamada Rough power, com uma seleção das músicas mixadas por Pop em 72; e em 2010 a mesma Columbia jogava no mercado o disco duplo Legacy edition, com as mixagens originais de Bowie, agora remasterizadas.

De qualquer forma, Raw power é um ponto de tensão constante, com uma banda à beira do colapso pondo nele todo o inferno que os rondava. A guitarra-solo é alta demais, a voz de Iggy também, a cozinha dos irmãos Asheton é primal, tudo é distorcido e sujo – mesmo nas ‘baladas’ impostas pela gravadora (“Gimme danger” e “I need somebody”).

Enfim, é uma das sementes da anarquia, visceralidade e (auto) destruição do punk. Agora se é a semente definitiva ou não, é conversa pra outros botecos.

Essencial!

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2 comentários sobre “Iggy And The Stooges – Raw Power (1973)

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