Pequeno Cidadão – Pequeno Cidadão (2009)

Quando se tem um filho tudo muda em sua vida. Isso é fato.

Do sono à alimentação, dos cuidados com a saúde à quantidade de cervejas, do sexo às drogas, dos hábitos aos vícios. E com a música, claro, não é diferente.

Pessoas precisam dela desde que nascem, e os benefícios de se ouvir música quando bebê são comprovados cientificamente. O negócio é que não dá pra colocar pro seu filhote tudo que você está acostumado a ouvir; seja Sonic Youth ou Chemical Brothers, muitas coisas o irritam (há exceções, claro), então chegamos a encruzilhada chamada música infantil.

A maioria das produções musicais para crianças é chata que dói, repetitiva, emburrecedora, então como ir e levar seu filho além? Simples, com o Pequeno Cidadão.

O projeto formado em 2008 por Edgar Scandurra, Arnaldo Antunes, Ticiana Barros, Antonio Pinto – velhos amigos dos anos 80 – e seus respectivos filhos foi para mim algo como a luz no fim do túnel, a salvação da lavoura, ou simplesmente a forma de poder ouvir música com o Raul (que nasceu em 2010) sem morrer de tédio.

O primeiro e homônimo álbum da trupe saiu em 2009, com 13 faixas que retratam o universo infantil de uma maneira divertida, inteligente, honesta, fofa mas não tola.

As letras falam do adeus à chupeta, do futebol na escola, da hora de dormir, dos animais, do amor platônico (!) do sol pela lua, da relação entre pais e filhos, tudo carinhosamente mas sem pieguices.

O que ajuda muito na construção de Pequeno cidadão, o disco, é a experiência musical que cada um dos membros da banda trouxe junto consigo. O rock predomina, óbvio, com Edgar Scandurra se desdobrando entre riffs pesados (“Larga a lagartixa”, com Arnaldão Antunes fazendo poesia concreta) e psicodélicos.

Mas entre os acordes roqueiros há também espaço para, entre outras coisas, o samba malandro de “Carrinho por trás” e para a música eletrônica – “Bonequinha do papai”, nitidamente uma herança dos tempos do projeto Benzina.

Ao vivo o Pequeno Cidadão é uma festa barulhenta, com pais e filhos dividindo o palco, até que no final o grupo convida a plateia para participar da algazarra.

Em 2012 eles lançarão um novo álbum – agora sem Arnaldo, uma pena – e espero ansiosamente vê-los novamente com o Pequeno Raul (foi o primeiro show de sua vida) e me emocionar com suas canções, que além de falar direta e espertamente com as crianças ajudam a lembrar que todos nós também já fomos pequenos cidadãos.

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