The Rolling Stones – Exile On Main St. (1972)

 

Em 71 os Stones já eram grandes. Grandes demais, ricos demais e doidos demais para a Inglaterra, sua terra natal. Para fugir dos altíssimos impostos de lá se exilaram em uma praia da Riviera francesa, num casarão alugado por Keith Richards – que havia sido um QG da gestapo durante a segunda guerra mundial – com a ideia de gravar um disco sensacional, fazer uma turnê pelos EUA e sair do buraco financeiro. Esse era o plano.

Mas na realidade, a banda e um sem número de amigos passavam o tempo chapando. Crianças corriam, (belas) mulheres gritavam e homens passavam as madrugadas no porão, tentando fazer música naquele espaço reduzido, quente, úmido e sem a menor estrutura para a gravação do tal disco. Como companheiros, quantidades homéricas de álcool e drogas diversas. Nessa toada, nascia Exile on Main St.

 

 

Há um documentário sobre as gravações do álbum que vale mais que mil palavras. Mas dá pra dizer pelo menos duas coisas sobre Exile: primeiro, é um disco ‘conduzido’ por Richards, por isso tem a veia blueseira tão saltada. Com o recente casamento de Jagger e o fato de estarem numa casa (temporariamente) do guitarrista, ele assumiu a direção da coisa toda, mesmo sumindo por vários dias. Aliás, todos eles ficavam dias sem se ver.

Segundo, a colocação era geral e irrestrita dentro da casa. Pessoas que nem conheciam os Stones circulavam por lá, e a qualquer hora do dia ou da noite era possível encontrar malucos na cozinha, nos quartos e até no porão, onde teoricamente deveria estar sendo gravado um álbum.

 

 

Mas mesmo em meio a esse caos, Exile on Main St. saiu, concluído em partes na cidade de Los Angeles, mas com o clima daquela mansão na Riviera Francesa.

No início o disco foi recebido com críticas negativas. Os Stones foram chamados de perdidos, e o álbum de confuso e desagradável. Parece brincadeira, né? Mas é verdade.

 

 

Exile on Main St. é a fusão perfeita entre blues, rock, gospel, soul e country. Entre riffs e solos de guitarra, metais, boogie, harmônica e backing vocais os Rolling Stones condensaram todas suas influências para criar aqui o que para muitos é seu melhor trabalho.

Faixas como “Rocks off”, “Tumbling dice”, “Sweet Virginia”, “All down the line”, “Shine a light”, etc, são o registro puro dos Stones em sua fase mais insana e – por que não – criativa.

Se você conhece Exile de cabo a rabo, faça um favor a si mesmo e ponha-o novamente para tocar, em homenagem a seus 40 anos.

E caso você nunca tenha ouvido o disco, faça um favor maior ainda a si: compre-o, baixe-o, pegue-o emprestado, roube-o, enfim, dê um jeito e corrija esta falha. Seus ouvidos agradecerão até pararem de funcionar.

Essencial!

 

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6 comentários sobre “The Rolling Stones – Exile On Main St. (1972)

  1. Fabinho, eu me dei o “Exile” de presente há 11 anos atrás, se não me engano… Meus ouvidos agradecem a Jagger, Richards e cia. desde então! É um disco inigualável: é denso, verdadeiro e expõe o Universo dos Stones – drogas, jogatina, religião, luxúria e muito Rock ‘n’ Roll! Jagger jamais conseguiu cantar daquele jeito depois daqueles idos de 1971-1972, Richards jamais conseguiu igualar aqueles riffs tão perfeitos anos depois, Taylor-Watts-Wyman formava uma cozinha maravilhosa! E o sax do gênio Bobby Keyes? E os backing vocals arrasadores das negonas Clydie King e Vanetta Fields neste disco? “Quando eu ouço “Casino Boogie”, dá vontade de sair dançando… Quando ouço “Tumbling Dice”, me arrependo em não ter pensado em ser vocalista de uma banda de Rock! Este disco me fez querer sonhar em ser Mick Jagger quando eu crescer…Muito obrigado em postar este disco aqui no PCP!!! Grande abraço, Vinnie =-)

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