Chromatics – Kill For Love (2012)

 

Já tinha ouvido falar do Chromatics há alguns anos, quando lançaram Night drive, seu terceiro disco. Mas o que me chamou atenção à época não foi a música da banda de Portland – que sinceramente nem cheguei a ouvir – e sim sua vocalista, a bela Ruth Radelet (não vou citar Vinicius de Moraes, mas enfim…).

Passados 5 anos, eis que me deparo com um novo disco do trio, e desta vem resolvi ouvir ao invés de olhar.

 

“Into the black”, cover do clássico de Neil Young

 

Kill for love, lançado em abril pelo selo Italians Do It Better (do multi instrumentista e produtor do álbum, Johnny Jewel), é um trabalho coeso em sua quase evanescência.

Sua fórmula traz beats eletrônicos (ora arrastados, ora nem tanto), guitarras distorcidas ao fundo, hipnose, vocais etéreos (por vezes processados em um vocoder), melancolia, sintetizadores vintage – cortesia de Jewel, influenciado por disco music, Madonna e pela música dos filmes de John Carpenter – e um clima chapado, cheio de uma estranha sensualidade, letárgica e sonhadora.

 

 

Basicamente, Kill for love é um disco de synth pop revitalizado e dissolvido. Há espaços para experimentações em faixas longas (“Broken mirrors” e “Running from the sun” têm 7 minutos, metade deles com batidas esparsas, quase desconexas; e “No escape”, que fecha o pacote, tem 14 minutos SEM batidas); há algo entre o Everything But The Girl (pianos e voz, especialmente) e o M83 (a duração do álbum, inclusive); mas o que move o Chromatics aqui é mesmo o tal pop de sintetizadores e suas raízes disco.

 

 

E é nessa esquina entre luz e sombras/pista e sofá/passado e presente que a banda parece encontrar seu lugar e sua zona de conforto criativa. E mesmo sendo um tanto longo demais, este novo trabalho do Chromatics consegue prender a atenção do ouvinte por ser – como dito acima – coeso no que se propõe.

Não é exatamente um disco fácil, mas vale uma orelhada. A gente recomenda!

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Um comentário sobre “Chromatics – Kill For Love (2012)

  1. Tive que ouvir esse álbum algumas boas vezes pra entender ele melhor. Da primeira vez que eu ouvi eu comecei com uma impressao muito boa, mas no final do álbum parecia que tinha ouvido um synth pop com arranjos legais, mas instrumentação muito fraca. Me deu a impressão de ser uma tentativa de imitar o New Order, mas sem nada muito “catchy”. Mas ainda sim, fiquei com vontade de ouvir de novo.
    Depois de ouvir o álbum diversas vezes, percebi que a grande qualidade de”Kill For Love” não é a letra,o arranjo ou a instrumentação, mas sim o “mood” que ele cria. O Chromatics consegue criar uma atmosfera meio única, que impressiona principalmente no início. Sintetizadores sempre cobrindo as músicas suavemente, enquanto a guitara e o piano fazem riffs e arpejos que se repetem acopanhados por batidas dance. As faixas se seguem de forma bastante orgânica, com faixas longas, alocadas mais para o final, contribuindo muito para essa atmosfera criada. Todavia, achei o álbum um pouco comprido, ficando um pouco mais cansativo no final.
    No final das contas gostei do álbum, mas para mim ele tem que ser ouvido sempre inteiro pq individualmente as músicas perdem a característica coletiva do álbum.

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