CéU – Caravana Sereia Bloom (2012)

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É fantástico ver o desabrochar de uma flor. Como nos vídeos da Discovery, assistir em câmera lenta ao caule de um mato qualquer se transformar em algo belo e emocionante. É mais ou menos assim que me sinto em relação à paulistana CéU.

Não gosto de seus dois primeiros álbuns (Céu, de 2005; e Vagarosa, de 2009), embora enxergasse neles um potencial latente e não explorado. Pois agora todo esse potencial veio à tona em Caravana sereia bloom, novo disco da cantora.

Tecnobrega psicodélico e soulful? Yeah!

O álbum , descrito por CéU como um road disco, é mesmo uma viagem. Agora trabalhando com o marido Gui Amabis na produção, a moça pincelou as 13 faixas (incluindo vinhetas) de Caravana sereia bloom com diferentes cores e formas, assumindo uma postura corajosa ao ousar sair de sua zona de conforto (para usar um jargão).

A malemolência jamaicana ainda é forte influência na música da cantora (em “Asfalto e sal” e especialmente no rocksteady “You won’t regret”), mas a leseira do dub, bem como seu filho bastardo – o trip hop – e o afrobeat, são agora elementos incorporados e esparramados entre uma faixa e outra.

A viagem de CéU agora vai aos anos 60/70, no momento em que o rock psicodélico encontrou a soul music e juntos foram muito felizes. Entre um tapa e outro, chegam aos ouvidos ecos do segundo disco da baiana Gal Costa, viajandão e cheio de alma até o último sulco.

Aliás, a voz de CéU é qualquer coisa em Caravana. Até nos primeiros minutos de “Retrovisor”, puro tecnobrega/guitarrada, a rouquidão sexy de quem aparentemente ‘perdeu a timidez’ segura a onda (à partir de 1:30 a música ganha outros contornos, com uma guitarra matadora e indo lenta e diretamente ao coração).

Aliada a essa trip setentista (tropicalista?), há uma aura lo-fi sobre o álbum, deixando-o em certos momentos com um ar intimista (ouça “O palhaço”, côver de Nelson do Cavaquinho). Coisas de quem agora trabalha em casa.

Entre os convidados presentes em Caravana sereia bloom estão Curumim, Dustan Gallas (produtor de Journal de BAD, da preferida da casa Bárbara Eugênia) e Nação Zumbi, entre outros.

Só há um problema em relação a este novo disco da CéU: de agora em diante muita gente vai ficar esperando os próximos capítulos dessa história, inclusive eu. Um dos álbuns do ano!

Recomendado!

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2 comentários sobre “CéU – Caravana Sereia Bloom (2012)

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