My Best Fiend – In Ghostlike Fading (2012)

A Warp é conhecida globalmente como uma gravadora voltada à experimentações musicais – notoriamente as eletrônicas – e por estar sempre na vanguarda da música contemporânea.

Quem acompanha os lançamentos do selo deve então ter se surpreendido ao ouvir o último deles, o álbum de estreia dos norte-americanos do My Best Fiend, chamado In ghostlike fading.

Não que a Warp renegue o rock como diabo renega a cruz, mas artistas como Grizzly Bear e Battles – ambos do cast da gravadora – não são exatamente roqueiros tradicionais. E o rock tradicional, clássico, é justamente um dos pilares da música do My Best Fiend.

In ghostlike fading mergulha esse rock mais ‘centrado’ no universo lento, chapado, barulhento e quase sinfônico do space rock (de bandas como o essencial Spiritualized), e a mistura rende um bom caldo.

Há harmônica, piano, metais e guitarras limpas; de repente há apenas um baixo e uma bateria servindo como pano de fundo para uma verdadeira tempestade de distorções; de repente a tempestade se dissipa, surgem novamente as guitarras dedilhadas e os vocais low profile de Frederick Coldwell, e assim o ciclo vai se repetindo, faixa após faixa.

Às vezes soa como se Tom Petty tomasse um ácido e gravasse com o Flaming Lips; ás vezes como se o Velvet Underground fizesse uma jam com o Spacemen 3 e o Explosions in the Sky, às vezes tudo isso acontece na mesma canção…

Nesse clima de druggy music atmosférica e ao mesmo tempo épica o My Best Fiend constrói lentamente seu debute, pincelando sua viagem espacial com cores ora melancólicas, ora puramente psicodélicas.

No frigir dos ovos, In ghostlike fading não é um disco revolucionário, mas vale uma orelhada carinhosa porque:

1 – Basta ouvi-lo para perceber que foi feito nitidamente com alma e honestidade;
2 – É um disco de rock clássico em tempos de experimentalismos cada vez mais chatos e;
3 – Mesmo sendo um álbum de música ‘tradicional’ foi lançado pela Warp, o que por si só já atiça a curiosidade.

Recomendado para dias letárgicos e lisérgicos, com os sentidos aguçados.

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