Etta James – Tell Mama (1968)

 

tellmama

 

Uma das vozes mais marcantes do século XX, Etta James nasceu Jamesetta Hawkins em Los Angeles, e morreu vítima de leucemia hoje, 20 de janeiro, cinco dias antes de completar 74 anos.

Como tantos outros artistas negros norte-americanos, Miss Peaches – como também era conhecida – tomou contato com a música através das igrejas protestantes, e após mudar-se com a família para San Francisco, aos tenros 14 anos de idade montou com duas amigas o grupo vocal Creolettes, que por sua vez chamou a atenção do músico e empresário Johnny Otis, que teve então a brilhante ideia de inverter as sílabas de seu nome (James Etta). O resto é história.

A carreira de Etta James foi marcada por excessos – de drogas, álcool e peso (chegou a pesar 200 quilos) – e relacionamentos problemáticos, mas o que vai ficar na memória de seus fãs é sua música. Entre o blues, o jazz, o R&B e o soul, Etta gravou muitos álbuns e deixou como herança a força de sua voz e lindas canções.

Tell mama é o sétimo disco de Miss Peaches e é também seu mergulho mais profundo e apaixonado na soul music. Com produção de Rick Hall (Aretha Fanklin, Wilson Pickett, entre outros) e sob as asas de Richard Chess, dono da mítica Chess Records – que a mandou gravar no lendário Muscle Shoals – Etta se valeu de seu poder vocal e dos músicos do estúdio, também conhecidos como The Swampers, para criar um dos álbuns mais intensos já lançados neste plano.

Do romatismo à sensualidade, dos grooves aos lamentos, Tell mama é puro sentimento. A faixa-título é um dos melhores registros da soul music/R&B sacolejante do final dos anos 60, enquanto em outros momentos como “I’d rather go blind” e (especialmente) “It hurts me so much” Etta traz à tona as dores de uma alma embriagada, sofrida.

Não só, mas também por isso, Etta James é referência básica para todas as cantoras que vieram depois dela. Da doidona Amy Winehouse à multiplatinada Adele – que Etta adorava, por sinal – nenhuma mulher que ousou cantar com a alma pode dizer que passou incólume pela obra de Miss Peaches.

Esse pequeno texto é a modesta homenagem do PCP a uma das maiores cantoras que passaram pelo nosso também pequeno planeta azul. Descanse em paz, Etta. Hoje os anjos celebram sua chegada.

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