P.C.P Entrevista – Japanther

A dupla Japanther surgiu no efervescente bairro do Brooklyn, em Nova Iorque, no ano 1 do novo século. Frutos deste novo milênio, Matt Reilly e Ian Vanek se definem não simplesmente como uma banda de rock, mas sim como um projeto de arte multimídia.

Entre exposições, intervenções (a última delas chamada ‘Comer a bunda’) e apresentações insanas, o Japanther gravou nos últimos dez anos uma porção generosa de álbuns, EPs, singles, etc. No último deles, Rock and roll ice cream, deram uma leve guinada em direção a uma sonoridade mais ‘polida’, mas não se engane.

Na entrevista concedida por e-mail ao P.C.P (com a colaboração de nosso correspondente estrangeiro em Jundiaí, o Manoo), Ian e Matt – ambos gente finíssima, por sinal – deixam claro que continuam com as raízes profundamente enterradas no solo punk de onde vieram. E confirmam a vinda ao Brasil no final de 2011.

P.C.P: Vamos começar do início. O que significa Japanther?
Japanther: Japanther é um espírito animal, uma besta criativa que assume muitas formas. O exercício (agressivo) da criatividade.

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P.C.P: Vocês vieram de uma escola de arte (o Pratt Institute), e o Japanther é descrito em alguns sites mais como um projeto de arte multimídia que como uma banda de rock. Qual a relação entre as artes em geral e sua música? Isso é um meio de quebrar padrões estabelecidos na música?

Japanther: Recentemente nós fizemos uma intervenção chamada Eat The Butt (literalmente, comer a bunda) na Clock Tower Gallery em Manhattan. No momento estamos fazendo quatro peças de vídeo arte para a Bienal de Veneza e temos planos de exibi-los também na edição (da bienal) de Portland. Nós sempre nos referimos ao Japanther como um projeto artístico sem limitações, o que significa podermos fazer esculturas, discos, vídeos e pinturas sob o nome (Japanther), esperançosos que sejam trabalhos consistentes e interessantes.

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P.C.P: O Japanther é uma banda prolífica, gravando e lançando uma porção de singles, Eps, splits e álbuns nos último dez anos. De onde vem tanta inspiração e quando chega o novo disco?
Japanther: Nós temos planos de gravar o próximo álbum neste verão (do hemisfério norte) e lançá-lo no outono. Trabalhamos com o produtor Michael Blum em Los Angeles em nosso último disco e queremos trabalhar com ele novamente.

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P.C.P: Rock and roll ice cream (último álbum do Japanther, lançado em 2010) soa um pouco diferente dos trabalhos anteriores, mantendo as experimentações e a estética lo-fi mas com uma pegada mais pop em algumas faixas. É algo como ‘o efeito Michael Blum’ (produtor que já trabalhou com Madonna, Pink Floyd e Michael Jackson) ?
Japanther: É apenas a influência da Anita (Sparrow) e a evolução natural do grupo. Michael nos ajudou na busca por um som mais polido, mas permanecemos fundamentalmente punks.

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P.C.P: Por que vocês decidiram chamar Anita Sparrow (da banda Soviettes) para cantar em Rock and roll ice cream? Ela agora é membro oficial da banda?
Japanther: Nós somos amigos de Anita há algum tempo e sempre sonhamos em trabalhar com ela. Agora ela está de volta aos Soviettes (em Minneapolis), mas nós esperamos trabalhar em mais canções com ela no futuro. E ela nos ensinou muito sobre harmonias vocais.

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P.C.P: Quais as influências musicais (e extra musicais) de vocês? Há algo novo que os excite?
Japanther: Nós amamos os Ramones de todo o coração! E bandas como The Ventures, The Sonics, Chuck Berry, Buddy Holly and The Ronnettes. Eu (Ian) ouço muito hip hop, tanto novo quanto antigo. As bandas novas P.S. Eliot, Shellshag, Cerebral Ballzy, Ninjasonik, Songs For Moms, Filthy Savage, Unstoppable Death Machines e Joyce Manner rolam bastante no meu toca discos.

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P.C.P: O que vocês acham das redes sociais e da cultura de download presente na internet?
Japanther: Podem ser ferramentas úteis e esperamos que ajude as pessoas a descobrir coisas que vêm de fora.

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P.C.P Vocês enxergam alguma semelhança entre o underground musical de Nova Iorque e Los Angeles? Bandas como No Age e Mika Miko (ambas de LA) me parecem mais próximas de sua sonoridade que seus conterrâneos nova iorquinos…
Japanther: Sim, nos sentimos muito próximos tanto do No Age quanto do Mika Miko. Já dividimos o palco – e os quartos – com ambos algumas vezes. Nós amamos a costa oeste e tentamos tocar com a mesma pegada ‘surf de desenhos animados’ de lá. Creio que este é um jeito mais associado a LA que a NY.

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P.C.P: Planos para o futuro?
Japanther: Atualmente estamos em turnê pela Europa e fazendo arte para a Bienal de Veneza. Quando voltarmos aos EUA em junho iremos para LA fazer algumas gravações. Mais tarde, no verão, queremos estar na, a caminho de ou no caminho de volta da praia em Nova Iorque.

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P.C.P: Alguma chance de tocar no Brasil?
Japanther: Sim! Iremos tocar aí em dezembro deste ano.

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P.C.P: Para finalizar, deixem uma mensagem para nossos leitores e aos fãs brasileiros.
Japanther: A energia que vimos o Brasil dar aos Ramones e ao Nirvana é algo em que o Japanther está muito, muito interessado. Nós somos simplesmente uma banda com alma verdadeiramente punk e esperamos trazer essa ‘energia Ramones’ de volta ao Brasil em dezembro de 2011.

Um comentário sobre “P.C.P Entrevista – Japanther

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