PCP Entrevista: Kid Vinil

Kid Vinil é um dos caras que mais entende de (boa) música no mundo. Ponto. Nascido Antônio Carlos Senefonte em 10 de março de 1955, se tornou famoso nacionalmente na década de 80 quando esteve à frente da banda new wave Magazine – que emplacou uma série de hits como “Tic tic nervoso”, “Sou boy” e “Comeu”, entre outros -, mas antes disso já alimentava os famintos amantes da música.

Desde os anos 70 Kid está envolvido com a indústria cultural, seja trabalhando em gravadoras ou como radialista/jornalista (e mais tarde como apresentador). Nessa pequena entrevista ele fala um pouco sobre o passado, o presente – incluindo aí sua recém-lançada biografia – e sobre o futuro, que reserva uma ótima surpresa.

Leia a seguir a conversa deste grande mestre com o Pequenos Clássicos Perdidos.

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

PCP: Começando do começo: quando, como e por que o Antonio Carlos se tornou o Kid Vinil?
Kid: Kid Vinil foi um apelido criado em 1979 para um programa de rádio na Excelsior sobre punk e new wave. O nome foi bolado por mim e pelo prdutor Pena Schmidt. A origem foi Kosmo Vinyl (manager do Clash) e Kid Jensen (locutor da BBC), Kid de um e Vinil do outro.

PCP: Sua primeira banda foi a Verminose, confere? Você estava no olho do furacão (Começo do fim do mundo e afins). Como se deu essa transição do punk para a new wave do Magazine?
Kid: A primeira banda foi o Ponte Aérea, mas no tempo de escola, era um embriao do que seria o Verminose. Não gostávamos do nome Verminose e minha convivência com os punks era difícil, por ser considerado um burguês bem sucedido e fora do ideais punks. Diante de todo esse mal estar resolvemos mudar pra Magazine e fazer um som mais new wave, com a intenção de tocar no rádio e acontecer. Mesmo assim não deixei de gostar de punk, apenas me afastei pra não criar problemas.

PCP: Ainda falando do Magazine, a banda obteve grande êxito comercial nos anos 80, incluindo trilha sonora de novela da Globo. Como foi essa fase, de Chacrinha, Globo de Ouro e etc?
Kid: Nenhum de nós esperava que fossemos fazer tanto sucesso, tudo aconteceu de repente. Num instante estávamos no Chacrinha e em todos programas de auditório da TV brasileira. Corríamos o país inteiro fazendo shows, nossas musicas eram executadas à exaustão nas rádios. Eu fiquei assustado com tudo aquilo, tanto que num dado momento tive uma crise de estresse e resolvi dar um basta. Era cansativo viajar tanto e muitas vezes ser enganado por empresários e não tirar muito proveito daquele sucesso todo. Foi então que resolvi partir pra outros projetos. Nãoo discordo que foi prazeiroso gravar “Comeu” do Caetano pra trilha da novela, aliás uma de nossas melhores gravações.

PCP: Você nunca teve problemas com o Howard Devoto (que após o fim do Buzzcocks formou o Magazine, na Inglaterra)? (Risos)
Kid: Em se tratando de Brasil, acho que na época o Devoto nem se interessava se uma banda brasileira usasse o mesmo nome. O nosso Magazine em português estava mais pra loja que revista. Um argumento furado, mas ninguém de lá reclamou.

O Magazine e “Comeu”

PCP: Quem veio primeiro, o Kid músico ou o Kid jornalista? Como começou e como anda seu trabalho como apresentador/radialista?
Kid: As coisas aconteceram meio que simultaneamente, eu estava na gravadora Continental em 79 e através do Vitor Martins e do Alf Soares fui parar no rádio. o Vitor também me apresentou pro Trajano que era editor do jornal Canja e comecei a escrever pra eles. O Verminose surgiu na mesma época dentro da gravadora, o batera Trinkao e o guitarrista Ted Gaz trabalhavam na Continental.

PCP: Você acaba de ganhar uma biografia, lançada pela Editora Ideal. De quem partiu e como surgiu a ideia para esse livro e como tem sido a recepção e o retorno do público?
Kid: Eu não esperava uma biografia, mas o Duca Belintani que é amigo meu há anos e foi meu guitarrista na década de 90 veio com a ideia de me homenagear com uma biografia e eu acabei aceitando. Não esperava um retorno tão bom de imprensa, TV, rádio e público, os lançamentos foram um sucesso e o livro está vendendo bem. Fiquei surpreso e feliz.

PCP: Quais seus planos futuros? Mais um livro (Kid lançou em 2008 o Almanaque do Rock), mais um disco?
Kid: Pensei num outro livro, mas confesso que ando preguiçoso pra escrever; disco temos umas músicas compostas, mas por enquanto não pensamos em quando lançá-lo. Hoje sou independente e fica caro bancar uma prensagem, estúdio etc. A boa novidade é que finalmente voltarei pro rádio no dial: acabo de acertar com a 89 FM pra inicar um programa semanal de 1 hora à partir de meados de junho, nos mesmos moldes do que tenho no site da Brasil 2000.

PCP: Pra terminar, diga aí 5 bandas novas que os leitores do blogue devem ouvir.
Kid: Hoje tô ouvindo os galeses do Johanna Gruesome, a neo-psicodelia de Jacco Gardener, o pós-punk do Sauna Youth, o rock básico dos americanos Banditos e o segundo disco do Django Django (ouça aqui). Ah, e ainda os australianos do King Gizzard and The Lizzard Wizzard. É isso!

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4 comentários sobre “PCP Entrevista: Kid Vinil

  1. Pingback: Thee Tsunamis – Saturday Night Sweetheart (2015) | PEQUENOS CLÁSSICOS PERDIDOS

  2. O Kid era meio que referência para um moleque suburbano carioca dos anos 80. Às vezes tenho a impressão de que ele não foi “totalmente aproveitado”…. Os punks da época eram meio burros e ignorantes e o Kid achou por bem dar uma afastada.

  3. Pingback: Kid Vinil | Acordo Coletivo (Petroleiros, Bancários, Prof de Saúde)

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