Massive Attack – Mezzanine (1998)

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Começa a linha de baixo de “Angel” e não sei ao certo se os arrepios chegam devido a ela ou a febre que insiste em voltar. Meio entorpecido, me sinto envolver pela voz de Horace Andy, o mesmo que em 1973 compôs a versão ‘original’ da música que abre Mezzanine. Come from way above…

É muito dub envolvido aqui, do começo ao fim. Longe do sol jamaicano, transmutado pelas sombras de Bristol, carregado, denso. “Rising son” segue pela mesma linha, mas no meio da referência a Dennis Pinnock aparecem Velvet Underground e Pete Seeger. Como? Como conseguiram?

“Teardrop” é a voz de Liz Fraser, óbvio. Doce, encantadora, um sonho em meio à avalanche de graves que é o disco. Agora aquela batida seca que marca o ritmo os caras também roubaram, aceleraram, distorceram e quase não se reconhece “Sometimes I Cry”, de Les McCann. Anos 90 ainda se conseguia fazer essas coisas.

A sequência de ‘vou pegar emprestado isso e aquilo sem pedir a ninguém’ segue desenfreada com 3D, Del Naja e cia. surrupiando a intro de “Rockwrok” pra começar a construir “Innertia creeps” e de Isaac Hayes (‘vítima’ constante do sampladelismo desde que o mundo é mundo) a romântica “Our day will come” pra se tornar base da chapada “Exchange”, onde também se ouve o maestro Quincy Jones e seu piano. Não vai parar nunca? Não, não vai.

Led Zepellin, também hackeado por Beastie Boys, Chapterhouse e um sem número de bandas, ‘emprestou “When the levee break” para “Man next door”, que também tem pedacinhos góticos de The Cure. Iron Butterfly e Mannfred Mann deram sua contribuição para que nascesse “Black milk”, e Bernard Purdie + Pink Floyd encerram a lista de assaltados com samples para “Mezzanine” e “Group four”. Putaqueopariu, né?

Com essa enorme lista de artistas e canções presentes no clássico do Massive Attack pode-se pensar ‘ah, assim fica fácil’. Mas quem pensa assim obviamente é tosco pra caralho não tem ideia do que é pesquisa musical e muito menos do quão complexo deve ter sido cozinhar esse caldo heterogêneo até torná-lo algo tão harmonioso.

Mezzanine é considerado por muitos não só o melhor disco do combo como o ápice do chamado trip-hop e uma das antenas da música eletrônica em todos os tempos. Bom, eu me incluo nesses ‘muitos’ há 20 anos, então só me resta celebrar com vocês o aniversário desta obra prima.

Essencial!

 

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