Coldplay – Mylo Xyloto (2011)

Quando o Coldplay surgiu, lá no fim dos anos 90, o britpop já estava gasto. As brigas entre Oasis e Blur já não chamavam mais a atenção de ninguém, o Radiohead já havia saído da órbita terrestre, então a área estava livre para novos artistas dispostos a lotar estádios e vender discos como água.

Confesso que quando ouvi “Yellow”, primeiro hit da banda saído de seu primeiro disco (Parachutes, de 2000) gostei da música. Um clima romântico, boas guitarras em acordes simples, algo que parecia o Radiohead do início. Ok. Um amigo da época tinha Parachutes e eu até que o ouvi razoavelmente, mas cansou rápido, havia coisas bem mais interessantes acontecendo. Pensei então que o Coldplay gravaria mais um ou dois discos, faria um sucesso mais local que global e desapareceria sem deixar rastros nem saudades. Ledo engano!

Em 2011 o vocalista e bom moço Chris Martin e seus escravos – ops, parceiros – chegaram a seu quinto álbum no posto de provável sucessor do trono do U2 como banda de rock mais chata e popular do planeta, sustentado por hits, shows épicos e estádios lotados. Senhoras e senhores, com vocês Mylo xyloto. É, o disco dos ingleses tem esse nome mesmo.

Esmiuçar este álbum foi terrível, só tenho isso a dizer. A falta de tempero do Coldplay torna a audição de Mylo xyloto uma jornada por um mundo onde preto é preto, branco é branco, meninos são sempre meninos e gostam sempre de meninas que andam de vestidinhos cor de rosa e só perdem a virgindade após o casamento. A produção do outrora genial Brian Eno não faz mais que dar uma “ambientada” nas faixas, com arranjos maiores e mais orquestrais ou sintetizadores chulos, o que não ajuda nem um pouco músicas sofríveis como “Us against the world” (será que a letra se refere à banda? Ou a Chris Martin e sua também sem sal esposa? Mistério!), “U.F.O” ou “Paradise” a soarem menos caretas.

Mas o pior fica por conta da supostamente moderna “Princess of China”, que tem a participação da mulher de malandro Rihanna num dueto que consegue ser pior que Duets (foi mal o trocadilho, não resisti).

Resumindo a conversa, Mylo xyloto vai agradar fãs do Coldplay, que agora são os mesmos de Rihanna, Britney e U2. A banda provavelmente continuará a lotar estádios, vender muito e ganhar uma boa grana para gravar outros álbuns, lotar estádios, vender muito, etc, num ciclo conhecido como mundo pop. Se isso é um problema? Claro que não, contanto que eu não precise ouvir mais nada deles pelo resto da minha vida.

Pop will eat itself!

PS: Texto meu originalmente publicado no Bad Reviews.

2 comentários sobre “Coldplay – Mylo Xyloto (2011)

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