Sobre A Máquina – Sobre A Máquina (2012)

Assustador. Incomum. Perturbador. Psicótico. Qualquer uma dessas palavras pode (e deve) ser usada como forma de tentar descrever Sobre a máquina, terceiro e novo álbum do quarteto carioca Sobre a Máquina.

“Oito”, primeiro single e faixa mais ‘palatável’ do disco

Pra quem não conhece a história do grupo, o SAM começou como um projeto caseiro de Cadu Tenório, até que pouco antes das gravações do primeiro álbum – Decompor, de 2010 – juntaram-se a ele Emygdio Costa e Ricardo Gameiro. No ano seguinte, o saxofonista Alexander Zhemchuzhnikov pegou o bonde, e já como um quarteto lançaram o segundo trabalho, Areia.

Então de julho de 2011 – quando saiu Areia – até recentemente, Cadu embrenhou-se em diversos projetos (VICTIM!, Ceticências, Santa Rosa’s Family Tree, etc), Emygdio e Ricardo se uniram a outros músicos na banda Fábrica. E o Sobre a Máquina? Bem, pode-se dizer que criavam, em silêncio, o caos.

Lançado via Sinewave em 03 de dezembro, Sobre a máquina (gravado ‘na encolha’ entre dezembro de 2011 e agosto de 2012) é um desafio a ouvidos acostumados a 04 acordes – por mais barulho que esses acordes produzam – ou a batidas lineares – por mais agressivas que sejam essas batidas.

“Oito”, música do vídeo compartilhado no início do texto, é o momento mais acessível do álbum. Ou como disse Cadu, um ‘pedido de licença’. Porque as outras sete faixas estão mais para um ‘nós vamos foder com tudo’.

Para isso, o Sobre a Máquina foi fundo em suas próprias experiências, apoiando-se mais si mesmos que em suas influências musicais. Novamente segundo Cadu: ‘Fomos avessos a todos os timbres que já utilizamos, explorei o som da fita cassete e das superfícies mais do que nunca; a idéia era de destruir os sons, através do processamento. Não queríamos ficar no ponto comum, na linha de conforto; a provocação, a necessidade de auto-conhecimento e a exploração vão ser sempre o mote da banda’.

Toda essa desconstrução/reconstrução é sentida na pele ao ouvir Sobre a máquina. O disco tem ar de improviso; por vezes aparenta desconexão entre um ponto e outro, para em seguida se reagrupar numa espécie de vitral, fraturado e escuro.

Durante os 88 minutos do álbum ruídos são (cor)rompidos por silêncios, e nessa esfera em giro inconstante e irregular, música eletrônica e orgânica se mesclam, se redefinem e redefinem padrões musicais e estéticos. O Sobre a Máquina está em algum lugar entre Einstürzende Neubauten e Residents, entre o industrial e o jazz, entre John Cage e Skinny Puppy, entre o kling klang das máquinas e o trinido de uma guitarra.

É o futuro. E o futuro é desafiador e sombrio.

Recomendado!

PS: Sobre a máquina está disponível para download gratuito no site da Sinewave.

Um comentário sobre “Sobre A Máquina – Sobre A Máquina (2012)

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