Tricky – Pre-Millennium Tension (1996)

Certa vez li uma entrevista com o Tricky onde ele dizia que fumar muita maconha deixava o sujeito deprimido e sombrio. Pois é.

O homem-lagarto, que antes de se tornar ‘o’ Tricky era membro do Massive Attack, deve então ter fumado muita erva na hora de compor Pre-millennium tension, seu terceiro álbum lançado em 96 via Island. Porque este é, sem dúvidas, um disco deprimido e sombrio.

“She makes me wanna die”, com os vocais de Martina Topley-Bird

Gravado na Jamaica, o disco não tem nada de sol, água de coco e praia, nem muito menos da leveza do reggae ou das boas vibrações supostamente dominantes na ilha.

Não, não, o negócio de Tricky em Pre-millenum tension é exatamente o contrário. Ao invés de relaxamento, tensão; ao invés de tranquilidade, paranóia; ao invés de sol, sombras.

“Tricky kid, com o pó no nariz…”

As 11 faixas do álbum são densas, e a impressão constante que passam é de sufocamento, como se quisessem sair de seus casulos, mas não conseguissem.

O andamento de Pre-millennium tension não pode ser chamado de lento. Está mais próximo a uma sensação que só pode ser explicada àqueles que já tomaram chá de trombeta; algo como uma imobilidade não-relaxada, uma chapação involuntária que trava o corpo.

Há no disco guitarras, drogas, samples, beats orgânicos e eletrônicos, drogas, muito rap, a voz deliciosa de Martina Topley-Bird e…drogas.

Cada segundo de Pre-millennium parece vir entorpecido, dormente – como os dentes do “Tricky kid”. Não é um álbum para qualquer hora, e pode causar uma bad trip violenta se consumido sem o devido preparo.

Resumidamente, pode se dizer que Pre-millennium tension é o lado mais sombrio do já sombrio trip hop. Antes dele, Tricky já havia lançado duas pedradas (Maxinquaye e Nearly god), mas depois dele o homem-lagarto nunca mais encontrou a saída do claustrofóbico e escuro labirinto que é sua própria mente.

Essencial!

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6 comentários sobre “Tricky – Pre-Millennium Tension (1996)

  1. Gosto de trabalhar na madrugada. Posso fazer meu horário. Só trabalho “daquele jeito” (como disseram na junção Sonic Youth/Cypress Hill: I love you Maryjane). E gosto de entrar na atmosferas dos álbuns. Tipo: seleciono um álbum e escuto inteiramente, sem pausa. A atmosfera, o ambiente que o artista quis causar, com o álbum, será a minha atmosfera naquela hora da madrugada. Trip-hop e Downtempo é o que eu mais tenho escutado, há tempos. De vez em quando um Deep House. Alguns álbus são mais “solares”. Não combinam tanto com a madruga. Faço o processo então qualquer dia, durante o dia. Rs. Escutei, mais uma vez o Maxinquaye anteontem. Devidamente preparado. Nossa! Sempre confirmo quando escuto. É uma pedrada mesmo. Ícone da história do trip-hop. Meio dark, super trip, muito chapado. Farei o processo com o Pre Millenium, como vc recomendou, deve ser um disco pra madrugada né?!?! Volto e te falo que “trip” foi a que eu entrei. Rs. Abs

  2. Pingback: Tricky – Matter Of Time EP (2013) | PEQUENOS CLÁSSICOS PERDIDOS

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