Planeta Terra Festival @ Playcenter (05/11/2011)

Por Enio Vital

Festivais de rock são legais, mas em São Paulo é outra pegada. Qualquer banda sente mais tesão de tocar aqui, não tem jeito. Metrópole é metrópole, sem falar na loucura por ser em um parque de diversões, o Playcenter, que é bem localizado e com uma infra-estrutura bacana para receber grandes públicos.

O line-up do Planeta Terra já chamava a atenção de muita gente, Beady Eyes e Strokes, dois medalhões da cena atual, com discos lançados esse ano, todo burburinho em cima.

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Eu cheguei por volta das cinco e meia, numa tarde agradável, nem quente e nem frio, e com o manguebeat da Nação Zumbi estalando na orelha, maracatu pesadão. Tocaram várias músicas do Afrociberdelia, Da lama ao caos e algumas do Futura. Showzaço.

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O apelo lúdico dos brinquedos é legal até a página dois, porque é um desperdício de dinheiro você beber, ir no brinquedo, levar um porre de adrenalina e se ver careta de novo; aí você bebe mais e, quando a adrenalina descer, as chances de rolar uma PT são grandes. Mas, vamos lá, eu fui no Boomerang pra não dizer que não aproveitei.

Entre o processo de fila, brinquedos, banheiro, espiada no Jacaré no palco com Garotas Suecas, breja, já estava na metade o show do White Lies. Nunca escutei uma música da banda inglesa – que gosta de um sintetizador nervoso e não comprometeu. Até que veio a difícil decisão de assistir Broken Social Scene ou Toro Y Moi.

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Fiquei para ver o Broken Social Scene, mas… que bandinha medíocre. Parece banda de advogados, três guitarras para fazer aquele sonzinho? TRÊS GUITARRAS!! TRÊS?!?!? WTF?!?! Fui pro Toro Y Moi, lógico, tiro certo pra dançar, pena que só cheguei a tempo de escutar quatro músicas.

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Para mim, foi uma felicidade anunciarem o Interpol no lugar do Peter, Bjorn John – esse último eu já tinha assistido no Studio SP, enquanto o primeiro eu perdi em 2008. E, além disso, com o anúncio do término do Sonic Youth pós turnê sul americana, fiquei com aquela pulga: Qual banda vai ser referencia em Nova York?

O Interpol foi a cereja do bolo da noite, não tem jeito. Strokes é calça apertada, Interpol é viver de preto. Fizeram um setlist primoroso, carreira toda (até curti que tenham deixado as músicas do Our love to admire de fora, colocando só duas). No telão, os responsáveis deviam estar fumando aquele cigarrinho do artista, porque eles não colocavam os nomes das músicas que rolavam, apenas “Interpol”. Agora, me diz, e o desafio (indie) entre os amigos para ver quem descobria primeiro o nome daquela música? Quando acertava, era aquela festa.

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A minha maior surpresa foi a autenticidade de ser a única banda da noite a improvisar no meio de uma música. No final, última música, e o lazarento do Paul Banks continua cantando no MESMO TOM, é impressionante. Se o cansaço não fosse tanto, hoje eu iria pro Clash ver de novo.

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Beady Eyes foi aquilo que se espera, Liam Gallagher andando como se estivesse com a bunda assada, cantando todas as músicas, cuspindo em outras, lançando farpas para fãs de Strokes que ficaram sentados em frente ao palo no show dele, ou reclamando por outras pessoas cantarem “Wonderwall”. Em um Festival tão cheio de bom mocismos e regras, até que ele é um mal necessário. Ainda mais por ter sido praticamente um pocket show, né? Os caras tem só um album.

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Eu vi Strokes em 2005 no Tim Festival, ápice da carreira deles, show do aguardadíssimo First impressions on earth que não havia saido, com o Julian gripado, conversando com a plateia a todo momento, o Fabricio também interagindo, mesmo de maneira mais tímida. Seis anos depois, o cara (Julian) me fica de óculos escuros o show inteiro, canta e pega garrafa de água, pega garrafa de água e canta. Foi um bom show deles, tocaram todos os hits, todos discos, como diz meu amigo é a pérola de uma geração. Mas a sensação, no final, foi de um show pragmático, nada saiu fora do script.

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No geral, organização de primeira, não tive problemas em banheiros, bares, alimentação ou coisa que valha, nem briga eu vi. Acredito que foi um cinco de novembro agradável para as mais de 20 mil pessoas que estiveram ali, atrás de sua catarse roqueira.

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