
Quando se pensa em reggae é quase automático vir à cabeça o nome de Bob Marley. Natural, já que Nesta é considerado – não sem razão – o rei do tchaca tchaca, e é o grande responsável por levar ao mundo a música dos guetos da ilha chamada Jamaica.
Acontece que em 1973, antes de se tornar uma estrela, Marley ainda não era ‘o’ Bob Marley que lotava estádios, considerado uma espécie de messias rastafari. Ele era então o vocalista dos Wailers, a maior banda de reggae que já pisou a terra, e que no mesmo ano de 1973 escreveu um capítulo à parte na história da música com dois álbuns: Catch a fire e Burnin’.
Catch a fire – com sua polêmica capa – saiu em 13 de abril de 73 pela Island, e foi o primeiro disco do grupo a sair por um grande selo e também a destacar o nome de Marley como frontman dos Wailers. Era o começo do sucesso internacional da banda e dos conflitos internos consequentes dessa fama.
O vozeirão grave de Peter Tosh aparece em “400 years” e “Stop the train”, duas faixas que mostram a face mais política do álbum, ambas retratando o preconceito racial. Mas há espaço para canções mais leves, como a psicodélica “Stir it up” e a esperançosa “No more trouble”.
Sem mais, Catch a fire é o melhor disco de reggae de todos os tempos. Fim.

Seis meses após assombrar o mundo com Catch a fire, os Wailers voltavam à cena com sua segunda pedrada no mesmo ano. Burnin’ eleva ao quadrado o potencial revolucionário de seu predecessor, e além dos sucessos “Get up, stand up” e “I shot the sheriff” – esta última regravada por Eric Clapton, levando de uma vez por todas o reggae para fora dos limites da ilha – traz canções antigas da banda (como “Put it on” e “Duppy conqueror”) em nova roupagem.
A voz de Tosh é ouvida aqui pela última vez ao lado dos Wailers, na faixa-bônus “No sympathy”. Aliás, à partir deste disco Tosh e Bunny Wailer deixaram o grupo, agora chamado Bob Marley & The Wailers, e aí uma história chegava ao fim e outras começavam.
Mas, como dito no início do texto, os Wailers já haviam escrito um capítulo à parte na história da música. Jah bless.

