The Chemical Brothers – Dig Your Own Hole (1997)

 

Na metade dos anos 90 a dance music passou por um momento de grande transformação, e os Chemical Brothers estão diretamente envolvidos nela. Até então, o primeiro abalo havia sido a explosão da acid house e o surgimentos das raves, lá no final dos 80’s, popularizando artistas como Bomb The Bass e na sequência dando origem a um sem número de sub produtos, que infestariam o mundo nos anos seguintes.

Acontece que ali por volta de 1995, mais ou menos, houve algo como uma ruptura, e palavras até então não muito usuais passaram a fazer parte do glossário popular: techno, house, drum and bass/jungle, etc se tornaram filões lucrativos, com festas – e tendas, nas agora gigantescas raves – específicas, no que eu costumo chamar de ‘a grande segmentação’. E Tom Rowlands e Ed Simons, onde entram nessa história? Simples, fugindo dessa segmentação.

 

 

A dupla inglesa, que desde o início de sua carreira nunca se preocupou em seguir uma linha específica produção, rasgou de vez qualquer rótulo com Dig your own hole, seu segundo álbum, lançado pela Astralwerks em abril de 97.

Ok, você pode me dizer que este é um disco de big beat. Mas me diga também então que porra é essa de big beat? O que eu ouço em Dig your own hole é um enorme crossover, onde hip hop, funk, techno, trip hop, house, breakbeat, rock, graves pesados/elásticos, sintetizadores psicodélicos e batidas pesadas se cruzam o tempo todo, num caleidoscópio altamente lisérgico e dançante. Big beat é isso? Se for, ok. É big beat.

 

 

Há também convidados especiais no álbum, soltando a voz: Beth Orton e Noel Gallagher – este último na na ‘beatlelada’ “Setting sun”, um dos maiores hits da música eletrônica em todos os tempos.

Aliás, falando em hits, sucesso e afins, os Chem Bros também são em grande parte responsáveis (ao lado de Fatboy Slim e outros) pelo surgimentos dos tais ‘superstar DJs’, capazes de lotar tanto um clube, uma rave, um estádio ou uma praia, levando milhares de pessoas a se tornar ‘clubber por uma noite’ (ou dia, tarde, etc).

 

 

A meu ver, porém, há uma diferença gritante entre a dupla de Manchester e os demais superstars da eletrônica: as produções de Tom e Ed não soam puramente mecânicas, feitas apenas para mover corpos extasiados e mentes encharcadas de serotonina; elas me soam…humanas.

E Dig your own hole, independente de tudo, é um dos grandes álbuns da década de 90 e permanece em nossa lista de recomendações. Seja você um clubber ou não.

Anúncios

3 comentários sobre “The Chemical Brothers – Dig Your Own Hole (1997)

  1. Pingback: Beth Orton – Sugaring Season (2012) « PEQUENOS CLÁSSICOS PERDIDOS

  2. Pingback: The Chemical Brothers – Brothers Gonna Work It Out (1998) | PEQUENOS CLÁSSICOS PERDIDOS

  3. Pingback: The Prodigy – The Fat Of The Land (1997) | PEQUENOS CLÁSSICOS PERDIDOS

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s