PCP Entrevista – Single Parents

O Single Parents é sem dúvidas um dos grupos mais interessantes da recente safra indie brasileira. Com apenas três anos de vida, a banda lançou este ano seu primeiro disco cheio, Unrest, que saiu do forno através de crowdfunding (ou financiamento coletivo, também conhecido como vaquinha).

O disco foi gravado e produzido nos EUA, por onde o trio já havia passado em uma pequena turnê em 2010. Essas e outras histórias podem ser lidas na entrevista que o PCP fez com o baterista Rafael Farah e o guitarrista e vocalista Fernando Dotta, via email. Confira:

O trio Single Parents: Rafael Farah, Anderson Lima e Fernando Dotta

PCP: Entre o início do processo de criação do álbum e seu lançamento passou um bocado de tempo, que deve ter consumido outro bocado de energia (por isso o disco chama-se Unrest?). Não houve momentos em que vocês queriam jogar tudo pro alto e tocar o foda-se?
Farah Foi mais de um ano de MUITO trabalho até o lançamento de Unrest. Gastamos muito tempo, dedicação, energia e dinheiro pra produzir o disco. Naturalmente tivemos algumas situações de bastante stress, mas nunca passou perto a idéia de jogar tudo pro alto, muito pelo contrário. Do começo ao fim, sempre estivemos motivados com o trabalho, da pré-produção das músicas ao show de lançamento.
Sem contar que o processo do Unrest ainda não terminou, tem todo o trabalho de pós-lançamento do álbum com as tours, videoclipes, entrevistas, sessões, shows. Estamos muito animados e felizes com o que tivemos até agora.

PCP: Como foi a viagem a NY (foram bem recebidos, onde ficaram, passaram bem, fizeram rolês de turistas, o trabalho em estúdio,etc)? Façam um resumo dos dias gringos…
Dotta: Em 2010, fizemos uma breve tour na cidade, nessa viagem aproveitamos mais pra conhecer uns bares e fizemos rolês de turista também. Já em 2011, na viagem para a gravação do disco, fomos completamente focados. Chegamos dias antes das sessões começarem, conhecemos o produtor do disco pessoalmente, fizemos algumas horas de ensaio com ele para acertar os últimos detalhes das músicas, e os dias que seguiram foram basicamente dentro do estúdio gravando.
Todos os envolvidos no Unrest em NY (produtor, técnico de som, pessoal do estúdio) se dedicaram demais ao trabalho, nos receberam super bem, e contribuíram muito ao que o álbum se tornou. Sem contar que hoje em dia são grandes amigos nossos.

PCP: Viver de música (boa) no Brasil é uma guerra diária. Como estão as coisas pra vocês, que largaram os empregos em prol do rock and roll?
Farah: Viver de música no Brasil é um lance complicado. Tivemos que abrir mão de muita coisa pra conseguir trabalhar apenas com a banda. Mas ter a oportunidade de trabalhar com o que realmente gosta é uma coisa impagável. Não nos arrependemos nem um pouco de escolher esse caminho, por mais difícil que seja.

Dotta: Difícil sempre é, as coisas não vem facilmente. Não adianta ficar sentado em casa esperando chegar email de produtor querendo seu show. Acho essencial acompanhar o que está rolando, ir nos shows das bandas locais, conversar sobre as dificuldades/sucessos de outros músicos e gente relacionada com música, então há muita coisa envolvida, vai bem além de simplesmente subir num palco.

PCP: Ouvindo o álbum fica nítido que sua maior fonte de influência é o rock dos anos 90. Vocês tem algum problema em serem rotulados como uma banda revivalista? E se consideram assim? Tem uma onda grande de grupos nessa linha…
Dotta: Nosso som não é revival. Tem influências de anos 90, mas acho isso natural, porque nós três sempre ouvimos muito bandas dessa geração. Cresci ouvindo Nirvana, Oasis, Radiohead, Weezer, Malkmus…meio inevitável querer fazer um som nessa pegada. Creio que estamos num momento favorável pro som que fazemos, as pessoas estão dispostas a ouvir guitarrada na cara. Salve J Mascis.

O trio nos EUA

PCP: Como surgiu o Single Parents e de onde vocês tiraram o nome pra banda?
Farah: O Anderson e o Dotta se conheceram em 2007, tinham um projeto de cover juntos. No final de 2008, saíram as primeiras composições autorais enquanto o Fernando morava na Inglaterra. Quando ele voltou ao Brasil, rolou a decisão de montar um projeto autoral. Foi aí, no começo de 2009, que eu me juntei ao grupo para tocar bateria. Demos nome à esse projeto autoral que estava rolando e começamos a selecionar algumas demos pra aprimorar as composições e arranjos em estúdio. Era um lance pós-punk, a maioria das músicas com bastante sintetizador e tal. Quando começamos a ensaiar e tocar, sentimos que a pegada ao vivo rolava muito melhor com as músicas que puxavam mais pro alternativo/college rock (que era a minoria das faixas). Então decidimos encerrar esse projeto que jamais foi lançado, mudamos o nome pra Single Parents e decidimos o caminho que a banda seguiria. O primeiro trabalho da banda foi o EP Could You Explain?, de janeiro de 2010.

Batizar uma banda é sempre complicado. No nosso caso, listamos uns 20 nomes que soavam bem, eram razoavelmente fáceis de pronunciar e tinham a ver com a temática das músicas. Ficamos quase um mês testando essa lista, vendo qual colava melhor, qual era mais forte. Entre os nomes o vencedor você já sabe qual foi.

PCP: O lance de cantar em inglês tem alguma razão específica? Vocês tem planos de sair do Brasil ou algo assim? Há quem ache agora que todo mundo deve cantar em português por aqui…
Dotta: Minhas primeiras composições foram feitas assim que voltei da Inglaterra, após morar por lá um tempo. Pela situação e facilidade com a língua, acabou sendo natural escolher cantar em inglês. Nunca paramos para discutir se cantar em português seria errado, simplesmente não tinha vontade. Consigo expressar de forma verdadeira o que escrevo nas músicas e isso é o ponto principal, ter tesão para compor. Não descartamos escrever em outro idioma num próximo passo. Nosso foco é Brasil, tocar por todo o país, conquistar público, seja em inglês, português ou outra língua. Temos alguns planos para o exterior, quem sabe ainda esse ano.

PCP: Pra fechar, deixem um recado para nossos leitores
Single Parents: Se interessem mais por bandas e artistas nacionais e compareçam nos shows, tem muita coisa excelente e de qualidade rolando por aí. Se você já se interessa, então divulgue, não adianta a banda ser famosa só no seu iPod.

Ouça abaixo Unrest, o ótimo debute do Single Parents

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Um comentário sobre “PCP Entrevista – Single Parents

  1. po, fabio… voce nao perguntou quando (ou melhor, se) vao mandar as recompensas de quem contribuiu no catarse. na hora de mandar e-mail e mensagem no facebook pedindo contribuicao, eles mandam numa boa. enrolão da porra esse cara-de-pau desse fernando dotta.

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