
O baterista Sly Dunbar e o baixista Robbie Shakespeare têm um currículo invejável de inestimáveis serviços prestados à música jamaicana e, por que não, global.
Na cena musical da ilha desde os anos 60 (Sly era músico de estúdio e lançou seu primeiro single, “Night doctor”, ao lado dos Upsetters e com produção do mago Lee Perry; Robbie era membro do Aggrovators), os dois uniram forças na metade dos anos 70 sob o nome Sly & Robbie.
De lá pra cá, muitos álbuns lançados e viagens pelo reggae de raiz, dancehall, ragga e dub. E é justamente um retorno às origens adubadas que a dupla faz em seu novo álbum, Blackwood dub.
O disco sai oficialmente em 19 de março pelo selo Groove Attack – voltado à eletrônica, diga-se -, e traz Sly & Robbie pondo em prática aquilo que ensinaram a tantos outros: como fazer um grande álbum de dub.
Blackwood dub não soa vintage, com aquele ar lo-fi dos discos ‘clássicos’ de dub gravados nos anos 70 que muita gente tenta – sem sucesso, na maioria das vezes – recriar nestes anos de facilidades tecnológicas. Ao contrário, é um álbum muito bem produzido.
Por outro lado não tem também o excesso de bricabraques eletrônicos que transformou a música jamaicana à partir dos anos 80. É totalmente orgânico, com suas 10 faixas flutuando entre ecos, delays, percussão e efeitos.
Ao vivo, em 2008
Em Blackwood dub, Sly & Robbie contaram com a participação de outras figuras carimbadas da cena musical da Jamaica, como Mikey Chung, Daryl Thompson (do Black Uhuru), Sticky Thompson, Dalton Browne e Ansel Collins, entre outros.
O resultado é um poderoso disco de dub, todo instrumental, pulsante e hipnótico ao mesmo tempo, feito – como diriam Jai Mahal e China Kane – para acalmar sua mente pensante e levitar seus pés dançantes.
As faixas preferidas por aqui são “Shabby attack” e “Burru saturday”.
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