Japandroids Live @ Beco 203 (09/03/2012)

Brian King, por Leandro Devitte

Eu nem tinha entrado no Beco e a bruxa já tava solta; ou melhor, bruxo. Aqui, em São Paulo, há uma praga chamada Kassab; desde que mudei pra cá, só há proibições: não pode beber, fumar, ficar no bar até mais tarde, andar na garupa de moto, tomar breja de ambulante antes do show ou do jogo no estádio. A mais nova fdptg consiste em uma pesada multa para o estabelecimento que receba algum cliente sem portar documento com foto original ou autenticado. Enfim, há aquela propaganda do Ferrugem e da Hebe, falando mais a respeito…

Eu tava com meu, mas o meu amigo levou o xerox e não aceitaram; queriam o original ou um B.O confirmando que ele tinha perdido o documento – PAUSA PARA A INCOERÊNCIA: de que adianta eu ter cadastro na casa noturna, com meus dados (incluindo RG) sendo que não prestam pra nada numa situação dessas? Mas como a vontade de ver show era maior do que a de voltar pra casa, fomos abrir um B.O na quarta delegacia de policia, travessa da rua Augusta.

Chegando lá, os coxinhas tavam comendo uma pizza de peperonni, nem preciso dizer que levamos um chá de cadeira digno de consultório médico para esperar eles acabarem de comer tudo. Mas quando fomos atendidos, apareceu um policial muito lisérgico e bonna gente. Primeiramente, ao ver a assinatura do meu amigo, começou a descrever a personalidade dele “…é, pelo seu tipo de assinatura, posso dizer que você começa as coisas e nunca termina direito…”; de repente ele fala: “Pela sua orelha, você toca o que? Guitarra ou violão”?

O surrealismo não acabou ai. Quando estávamos comentando que somos estudantes de publicidade e propaganda, ele indicou um trecho do antigo testamento, chamado HABACUQUE – que é uma espécie de trecho feito por profetas menores, os outsiders da biblia – que falava sobre propaganda. O trecho é o seguinte: “Então o SENHOR me respondeu, e disse: Escreve a visão e torna bem legível sobre tábuas, para que a possa ler quem passa correndo”. (Habacuque 2:2).

Toda aquela zica de ter sido barrado na porta do Beco, de ter que ir numa delegacia e levar chá de cadeira dos tiras, foi recompensada com esse policial sangue bom. Afinal, foi uma experiência muito diferente do que se poderia imaginar, além de servir para quebrar as más vibrações que nos antecederam.

Foto: Leandro DevitteMacaco Bong, por Leandro Devitte

Com o B.O em mãos conseguimos entrar e, em 10 minutos, começou o show do Macaco Bong. Já fui em 4 shows dos caras, este foi o quinto; mas só um foi indoor (o primeiro que vi), então fazia tempo que não assistia um show deles em um local em que a acústica ajuda.

Mesmo com o baxista substituído recentemente, não houve perda sonora. Até mesmo porque o grande diferencial tá no guitarrista: o cara tem uma abertura de dedos para pegar 6 casas no braço da guitarra e quase não usa pedal de efeito e distorção, contei apenas três no chão. O som da banda é muito mais pautado no poder do (amplificador) valvulado Orange que é usado em apresentação ao vivo.
O Show foi um transe generalizado de movimentos de cabeça, e para finalizar Bruno Kayapy ‘travou’ a guitarra; quer dizer, ele ativou o pedal loop e começou a tocar, igual ao Thurston Moore nas apresentações no Sonic Youth. Deixou a guitarra falando sozinho e foi embora do palco. CLAP!

Vídeo por Fernando Lopes

Antes do Japandroids subir, eu dei uma olhada na equipa dos caras: um valvulado da Marshall com cabeçote, um amplificador que custa no mínimo uns 8 mil dólares; uma Fender telecaster deluxe e outra standard; oito pedais de distorção e uma pedaleira. Eu sabia que dali não tinha como vir uma apresentação ruim, era muito equipamento fodido. A dupla no palco e disse que tocaria o disco atual, Post-nothing, na integra e algumas músicas do disco novo que está para ser lançado. Em outras palavras, prepare-se que o show vai ser longo.

A apresentação toda foi marcada por muita energia, dessas que o cara transpira pelo buço do bigode já na segunda música; Brian King não parava um minuto no palco e só mandava riffs pesados, rápidos e altos. Eu comecei a assistir o show do lado da bateria (esmagada por David Prowse, diga-se de passagem), mas não aguentei e fui pro lado da guitarra.

Vídeo por Fernando Lopes

Confesso que fiquei meio surdo quando saí do show e no dia seguinte ainda sentia a sequela auditiva. A presença de palco do Japandroids realmente me impressionou, mas me chateou um pouco o vocal ser tão baixo; acredito ser proposital para ficar mais sujo entre a guitarra e a bateria, porém estava com volume menor do que na própria gravação, e eu custei para entender algumas coisas que ele falava.

Mas pra quem já estava surdo, o que são algumas palavras?

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