PCP Entrevista – Gaía Passarelli

Ela não é cantora e nem compositora; não toca guitarra, baixo ou bateria em uma banda de rock, nem tampouco é DJéia ou produtora de beats eletrônicos.
Mas sua história tem raízes profundas na música (“Minha casa sempre teve muito instrumento musical na sala, show de fim-de-semana, discos de vinil
que eu e minha irmã colocávamos pra tocar
“), e mesmo não tendo aprendido a cantar ou tocar, a filha de um músico e de uma produtora de shows encontrou outro caminho para fazer da música o alimento de sua alma: pesquisando, ouvindo e escrevendo sobre.
Durante quase 15 anos foi ao lado do amigo e sócio Gil Bárbara o corpo, a mente e a alma de um dos sites responsáveis pelo crescimento e amadurecimento da cena eletrônica (e de toda a cultura envolvida) no Brasil, o Rraurl.
Em 2011, para surpresa geral, decidiu dar um novo rumo à sua vida e carreira, deixando o Rraurl nas mãos do ex-sócio (mas ainda amigo) e encarando o desafio de voltar à MTV – onde trabalhou há anos atrás – como VJ do programa Goo, com a missão de ajudar a emissora a retomar sua vocação musical.
Senhoras e senhores, com vocês a pequena notável Gaía Passarelli.

P.C.P: Como e quando surgiu a ideia de fazer o Rraurl? e o que significa esse (estranho) nome?
Gaía:: No começo de 1997 com o Gil Barbara e o Camilo Rocha. Eu e o Gil, que é meu melhor amigo desde o começo dos anos 90, já eramos muito ligados em internet. O Camilo tinha acabado de voltar de Londres e conhecia o poder de mobilização que a rede tinha nas festas de lá. As raves estavam começando a rolar no Brasil e não havia um veículo para divulgação. A ideia veio do Camilo e nós tocamos o barco os três durante um tempo, depois ficamos eu e Gil. O nome foi sugestão de uma amiga e é uma piada interna, inexplicável pra quem não viveu aquela época.

***

P.C.P: O Rraurl surgiu numa época em que a música eletrônica engatinhava no Brasil, e foi um dos responsáveis pela sua popularização. Como você se sente tendo feito parte desse momento importante?
Gaía: Grata, com certeza. Foi muito empolgante, uma época muito apaixonada, cheia de ideais e da arrogância típica da juventude. E divertida, muito divertida, isso é o principal. mas não sinto nenhum tipo de nostalgia e não gostaria de estar em outro lugar que não fosse o presente. Inclusive no que diz respeito à música.

***

P.C.P: Durante quase 15 anos você esteve à frente do Rraurl, como editora, repórter, fotógrafa, administradora, etc, mas sempre nos bastidores. Como é estar agora na frente das câmeras?
Gaía: Foi muito desconfortável no começo mas agora está tranquilo. É importante lembrar que eu não apenas apresento, mas faço o editorial
do programa, busco os videoclipes, elaboro os assuntos, sempre junto com a minha diretora, a Mari Metri, que manja horrores de música e de TV. É um trabalho em equipe e é muito legal. E além do Goo tem o Extrato que é um programa mais normal da MTV com debates sobre música entre eu e os outros VJs “musicais”, o China e o Chuck Hipolitho. É outro tipo de trabalho, pra outro tipo de audiência e é muito estimulante.

***

P.C.P: Não dá pra fugir dessa pergunta: Por que a decisão de sair do Rraurl e ir para a MTV? E como surgiu essa história?
Gaía: Eu trabalhei na MTV perto da época em que o Rraurl foi criado, há uns 11 anos. Um dos motivos de ter saído, na época, foi para me dedicar mais ao Rraurl, que estava crescendo e tomando mais tempo. Agora aconteceu o contrário. O Goo começou porque o Rraurl estava dentro do portal MTV. A relação foi estreitando, ganhamos um programa de clipes chamado LAB/rraurl, que durou quase um ano. Em 2010, quando começou a se definir essa mudança da grade para uma coisa mais musical, me pediram para indicar VJs para um possível programa de novas tendências. No meio dessas conversas acabei fazendo um teste a convite da emissora – e, contra todas as possibilidades, eles gostaram! Topei porque é um novo momento na minha vida em vários sentidos e eu achei que estava na hora de deixar algumas coisas acabarem. O Rraurl é uma delas. Foram 14 anos cuidando do site, oito dedicados só a isso. Conheci um monte de gente legal, aprendi demais sobre música e sobre internet, vi shows e fui em festas incríveis. Muita coisa bacana aconteceu na minha vida
por causa do Rraurl. Mas existe uma necessidade natural de outras realizações, que o site não permitia, por ocupar tempo demais. Acho que tudo acaba e não precisa ser um drama. Fico muito tranquila por ver que o site segue no ar com a outra metade criadora, o Gil Barbara. Ficou paradinho um tempo pra se adaptar, mas já voltou a rolar diariamente, o canal de vídeos está incrível e vai estrear uma versão nova logo mais.

***

Com o amigo Gil Bárbara

***

P.C.P: O Goo (assim como o Big Audio e o Na Brasa) são programas que retomam a vocação musical da emissora, perdida há anos. Como é fazer parte dessa empreitada e como andam as reações ao seu programa? Já dá pra ter uma ideia?
Gaía: É motivador! Sério, é legal demais. Eu gostava muito de trabalhar na MTV e fiquei feliz em voltar. Eu gosto do clima, gosto dos meus colegas e gosto, principalmente, de poder fazer um programa sobre math-rock pra TV aberta. Quanto às reações, elas chegam principalmente via redes: twitter (@goomtv) e facebook (/goomtv) e em dois formatos: aquele clássico “que demais isso não conhecia, wow, quero saber mais” e as sugestões de bandas e pautas, muitas delas inteligentes e aproveitáveis. Mas é cedo, no timing de TV, para ter uma ideia clara. O programa precisa de tempo para encontrar sua audiência – e eu preciso de tempo para aprender a fazer TV. Mas, pessoalmente, tem sido demais receber elogios de colegas que eu admiro, de encontrar algum amigo e a pessoa contar que viu o programa e gostou.

***

P.C.P: Até por ser um canal jovem, a MTV está muito ligada às redes sociais. Como você enxerga a relação entre elas e a música hoje em dia (questões como divulgação, compartilhamento, etc…)?
Gaía: Olha, não precisa ser gênio para perceber que a MTV tem muito mais possibilidade de audiência via internet do que na TV. Muita gente vê o programa via web porque não tem restrições de local, operadora de tv a cabo ou horário. Existe um aplicativo da MTV Brasil para iPhone (procurem na App Store Brasil) que mostra a programação em tempo real, em qualquer lugar. E existem outras ideias sendo postas em prática. A presença da tv nas redes é importantíssima, tanto como divulgação quanto para medir o retorno da audiência.

***

P.C.P: Diga pra gente alguns artistas que desde sempre fazem sua cabeça e novos nomes que te piram:
Gaía: Sempre: Chemical Brothers, Aphex Twin, Carl Craig, LCD Soundsystem, New Order. Eu acho que são inovadores e se tornaram clássicos com o tempo. De novos, gostei demais do Rainbow Arabia, Twin Shadow, Tune Yards, Jamie Lidell e Horrors (que são relativamente novos se comparados com os que eu falei no começo da resposta). Quero muito discos novos do 120 Days e do Caribou.

***

P.C.P: Rock ou música eletrônica?
Gaía: Os dois, por que não? Mas são termos muito elásticos. A “música eletrônica” tradicional, voltada para pistas, não me desperta interesse hoje. Mas meu iTunes tem Raveonettes e Junior Boys no mesmo dia.

***

***

P.C.P: Quando você passou a ser movida à música?
Gaía: Acho que de criança. Meu pai é músico, maestro, multi instrumentista. Minha mãe é produtora de shows. Minha casa sempre teve muito instrumento musical na sala, show de fim-de-semana, discos de vinil que eu e minha irmã colocávamos pra tocar. Minha irmã aprendeu a tocar baixo, a cantar. Eu não tive esse talento, fugi da escola a vida inteira e nunca consegui ficar num mesmo emprego mais que seis meses, mas acabei aprendendo a escrever e pesquisar para poder atualizar o Rraurl. E minha vida profissional pra valer começou aí.

***

P.C.P: Gaía por Gaía:
Gaía:
Gaía é mãe do menininho mais legal do mundo, está sempre ouvindo
música sem conectar as caixas de som no laptop, gosta de cerveja de trigo e perde muito tempo vendo fotos de gatos nas interwebz.

***

P.C.P: Planos para o futuro…
Gaía: Fazer o Goo durar mais que uma ou duas temporadas é a prioridade. Se alguém me falasse há um ano que eu estaria trabalhando como VJ eu
daria risada, mas foi o que rolou e está sendo legal. Sou ruim com planos longos. Os imediatos estão rolando.

***

P.C.P: Finalizando, deixe um recado aos nossos leitores:
Gaía: Se você é leitor do PCP: parabéns. Se não é, bem-vindo e comece já a fuçar o arquivo do blog 🙂

***

Lembrando que o Goo vai ao todos os sábados às 23h, com reprises às quartas (01h30) e domingos (00h30 e 02h30). E está também na MTVr, todas as terças à partir das 14h com reprise às 23h.

Mais na rede:
Twitter: @goomtv
Facebook: /goomtv
MTVr: http://mtvr.com.br/goo-mtvr
E todos os programas: http://mtv.uol.com.br/programas/goo

8 comentários sobre “PCP Entrevista – Gaía Passarelli

  1. Pingback: GOO! « Campari Joy

  2. ela é ótima e assim mesmo como se descreve nessa entrevista super legal. foi um prazer conhecê-la pessoalmente e dá vontade de ficar conversando por horas…

  3. Pingback: Gato & Gata: A Casa Musical de Chuck e Gaía | PEQUENOS CLÁSSICOS PERDIDOS

Deixe uma resposta para Duh Cancelar resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s