P.C.P Entrevista – Bárbara Eugênia

Ela nasceu em Niterói, viveu no Rio, nos Estados Unidos e em Atibaia até (re)pousar em São Paulo.

Bárbara Eugênia é cidadã do mundo, e isso se reflete em suas músicas. Journal de BAD, seu debut lançado de forma independente no passado, traz a cantora e compositora explorando a liberdade criativa, se alimentando de influências que vão da psicodelia dos anos 60 ao indie rock de PJ Harvey e consequentemente entregando ao público música brasileira universal.

Nessa entrevista que concedeu via email ao P.C.P, Bárbara falou sobre o papel das redes sociais no mundo contemporâneo, independência, fossa e deu uma pequena explicação sobre música francesa.

P.C.P: Por que a decisão de deixar o Rio e se mudar para São Paulo? Questão de mercado ou algo do tipo?

Bárbara Eugênia: Não, vim para São Paulo para sair do Rio, mas sem motivo específico. Nem estava cantando quando fiz a mudança. Tinha desistido disso já, achava que não era pra mim, depois a vida mostrou que foi a melhor coisa que podia ter feito!

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P.C.P: Uma curiosidade: de onde vem o apelido BAD?

B.E: Meus amigos do Rio me chamam de BAD. Era muito ranzinza, típica adolescente chata, achava tudo uma merda….rsss. Mas sempre com humor…
E o apelido ficou até hoje!

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P.C.P: Em suas canções você passeia por diversas paisagens musicais (chanson francesa, mpb ‘clássica’, rock…). Qual é a da Bárbara Eugênia? Li em algum lugar o termo ‘fossa nova’ sendo usado para rotular você e alguns outros artistas bacanas (Cidadão Instigado, Marcelo Jeneci, etc). Confere? Vocês estão na fossa? (risos)

B.E: Esse lance da chanson é um erro, na verdade. Chanson era a música feita nos anos 40, na época da IIª Guerra e do pós-guerra, e que ficou famosa principalmente através da Edith Piaf, do Charles Aznavour, entre outros. Adoro a chanson, mas não tem nada a ver com meu som. Acho que existe uma confusão pois digo que me inspiro muito no som dos anos 50, 60 e 70 do mundo todo, mas sempre pontuo a música francesa e italiana. Enfim, minhas influências são mais roqueiras, desde o iê iê iê, da tropicália, da jovem guarda e do rock psicodélico, até sons mais modernos como o Radiohead, PJ Harvey, Nick Cave, Jupiter Maça, Cidadão Instigado. É uma mistura mesmo…e gosto de muita coisa, acho que tudo entra um pouco na minha música. Mas a essência mesmo é o rock, sem limitações… Quanto à fossa, não acho que o som seja isso, acho que fossa é algo natural que as pessoas vivenciam em momentos de fossa, justamente. Escrevo sobre períodos obscuros, coisas ruins que acontecem, “maus amores”, mas acho que o otimismo prevalece no disco, nas letras. Mas enfim, cada um vê do seu próprio jeito. E isso que é bom na música. Ela é livre.

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P.C.P: Aproveitando o gancho, quais suas influências (não só musicais) e o que você anda ouvindo atualmente?

B.E: Minha influência na vida são as coisas belas, o amor, o cinema, a arte, os livros, a poesia, meus amigos, tudo que me faz bem ou me abre a cabeça, me faz pensar. Ouço sempre muita coisa diferente, mas nessas últimas semanas tenho ouvido mais Syd Barret, Hindi Zahra, Tom Waits, Os Tincoãs, Leonard Cohen, Supremes e mais um monte!

P.C.P: Você surgiu na música já na era da internet. Como lida com a web (redes sociais, principalmente) e o que pensa a respeito da questão dos direitos autorais X Download/compartilhamento?

B.E: As redes sociais são importantíssimas para músicos, artistas em geral, autônomos, empresas. Hoje em dia é importante para qualquer pessoa que queira divulgar um trabalho, seja qual for. Uso facebook, myspace, twitter, soundcloud, tudo…É uma maneira rápida e eficaz de disseminação. Todo mundo tá ligado, as pessoas nem usam mais tanto o telefone. Não adianta nem só as mídias impressas ou a televisão ou o rádio. Tudo ajuda, mas a internet é imprescindível pois alcança muito mais gente, muito mais rápido e você controla a quantidade de informação e a frequência. Acho o download gratuito incrível, acho mais incrível ainda essa história de pagar quanto puder. Claro que pensando como cantora, artista independente, preciso ganhar dinheiro de alguma forma. A venda de disco ou de música não dá dinheiro, mas ajuda. O meu disco está num preço ótimo porque fiz questão disso e está à venda na internet também faixa por faixa. Mas sei que têm vários blogs onde se pode baixar de graça e acho ótimo. Quem puder pagar, paga. Quem não puder ou não quiser, não paga. Eu mesma normalmente baixo primeiro e depois compro, se gostar. Mas gosto de ter o disco físico, principalmente vinil.

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P.C.P: Journal de BAD foi lançado de forma independente, contando apenas com a distribuição da Tratore. Por que a independência? Algum problema com gravadoras?

B.E: Nenhum problema. Mas vimos que poderíamos fazer um disco sozinhos, com ajuda de amigos, com um custo mínimo e ter liberdade total. Na minha opinião, é bem melhor assim. Conseguimos e está dando tudo certo até agora…

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P.C.P: No álbum há diversas colaborações de vários nomes da ‘nova música brasileira’, e essas colaborações vem rolando com certa frequência hoje em dia. Há uma nova cena em São Paulo? Ou a coisa acontece na base da amizade?

B.E: O contexto da música em São Paulo é bem amplo porque aqui é uma cidade muito grande, a maior do Brasil, as pessoas vêm para cá acho que por acreditarem que há mais chances. E realmente há. Mais oferta, mais demanda. A mistura de gente de todo o Brasil e mais ainda, do mundo, torna essa cidade efervescente e isso é muito interessante. A coisa, no meu caso, aconteceu na base da amizade. Se não fossem os amigos que fiz, não teria feito disco, pelo menos não tão rápido, nem tão bom! Minha banda é toda do Ceará, eu sou do Rio, meus amigos são praticamente cada um de um lugar. Acho lindo isso. E isso enriquece a música. A gente tá vivendo um momento muito bom, especial mesmo. Na minha opinião…

P.C.P: Pra terminar, deixe uma mensagem para nossos leitores.

B.E: Mais amor e mais música!!!

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