P.C.P Entrevista – Rodamundo

O Rodamundo faz parte da novíssima geração de artistas da música brasileira, que deixa de lado o purismo da MPB para apostar em misturas de diferentes elementos e culturas pra criar sua música.

O quinteto, formado por Felipe Mancini (guitarra), Rafael Cação (bateria), George Domingos (percussão), Rodrigo Clemente (baixo) e Karina Kaufmann (vocal) surgiu na cidade de São Paulo lá pela metade dos anos 2000, e vem conquistando espaço através do contato direto com seu público, se valendo principalmente da internet.

Ainda sem um álbum cheio – que deve sair em breve – o Rodamundo tem até agora um EP homônimo e um Single (Samba da fé) circulando física e virtualmente, que valem uma orelhada carinhosa.

Abaixo, a entrevista concedida via email por Rafael e Karina.

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P.C.P – Pra começar uma pergunta básica: quando e como surgiu o Rodamundo?

Rafael – Essa é básica mesmo! Nos conhecemos pela música, tocando juntos em outras situações e as afinidades e aspirações em certo momento nos fizeram formar um projeto para colocar, sem ter certas amarras de outros tempos, nossas vontades musicais em composições próprias. Acho que isso explica mais ou menos o “como”. Já o “quando” foi 2006 o ano em que nos reunimos e nos enfiamos em estúdios para experimentar e começar a formatar o que se ouve hoje.

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P.C.P – Vocês são uma banda surgida na era da internet e a usam bastante como ferramenta de divulgação e contato com os fãs. E a questão do download, como fica? Vocês são a favor ou contra?

Karina – Somos a favor do download gratuito quando disponibilizado pelo artista. Isso deve ser uma ferramenta a favor do artista e quando o artista consegue trabalhar a música na Internet de forma inteligente com seus fãs há um retorno positivo inclusive quando o download é cobrado.

Rafael – É, não podemos negar que é o trabalho dos músicos, que despendem nisso seu tempo, suor, criatividade e tudo mais. Então deve ser um direito do artista decidir se quer e como quer que seu trabalho seja distribuído, disponibilizado pela Internet, se ele acredita que isso é benéfico ou não pra ele. Parcerias com marcas e empresas dispostas a bancar financeiramente aos artistas uma distribuição das músicas online é um tipo de iniciativa interessante. É preciso continuar procurando novos formatos e produtos para que o artista possa sobreviver de sua música.

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P.C.P – O rótulo MPB ainda existe? O Rodamundo se encaixa nele?

Rafael – Música Popular Brasileira… Se formos levar esse rótulo ao pé da letra… Acho que esse rótulo acabou se associando com o tempo a um certo estilo de compor, uma música com raízes brasileiras e de, quase sempre, digamos, não tão difícil assimilação, essa é a impressão que tenho. É muita coisa diferente que se tenta jogar sob esse rótulo, não? Talvez tenha perdido o sentido que um dia teve. Essa questão de rótulos é algo que entendo ser necessário tanto para quem faz como para quem consome música, arte de forma geral, pra facilitar uma identificação dentro de um universo imenso de possibilidades, mas tenho certa dificuldade em lidar com isso, em reconhecer, rotular, principalmente a nós mesmos!

Karina – E acho que deveríamos usar este termo para tudo o que fosse feito de música brasileira.

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P.C.P – Vocês vem conquistando seu espaço mesmo agindo de forma independente. Este é um bom caminho nos dias de hoje?

Karina – Acredito que o mundo da música pede uma nova forma de trabalho, mais democrática, onde haja uma troca entre as pessoas, que se apóiam por objetivos em comum. Ser independente hoje não é só uma escolha e sim uma realidade do mercado onde o artista não é mais “bancado” ou “dominado” por uma gravadora. Hoje o artista chega a gravar muitas coisas em home studio e apresenta seu trabalho a gravadoras e produtoras que podem atuar como colaboradores. O independente hoje é algo feito a quatro mãos.

Rafael – Todo mundo depende de algo ou de alguém, ninguém sobrevive sozinho! Dependemos de um público, dependemos que nosso trabalho seja apreciado pelas pessoas, por exemplo! O que mudou e que se fala em “artistas independentes” é a forma como se entregava totalmente o controle da carreira e que parecia que só se podia ter uma carreira musical se tivesse alguém bancando, um empresário, uma gravadora. Hoje há cada vez mais ferramentas que permitem se articular melhor e o artista pode ter mais controle do próprio trabalho.

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P.C.P – Quais as principais influências da banda (musicais, literárias, cinematográficas, alcoólicas, etc…)?

Rafael – Particularmente, olhando pro que eu faço e pro que eu já fiz, acho que tenho me inspirado mais na vida real mesmo, em coisas e fatos próximos e táteis. Sempre tem algo que você vê, lê, vivencia que te inspira a criar. É difícil apontar algo ou alguém específico que influencie o Rodamundo como um todo, pois são 5 cabeças distintas, com seus pontos em comum, claro, mas também com suas particularidades. Nosso campo de inspiração acaba sendo bem amplo!

Karina – O Rodamundo tem influências que vão desde o rock anos 70 até cantigas regionais.

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P.C.P – Dá para viver de música no Brasil? Vocês têm trabalhos paralelos?

Karina – Depende das ambições e objetivos de cada um e dos compromissos que você vai assumindo na vida como casar, comprar uma casa, ter filhos, carro, celular, etc. Enfim, responsabilidades que te exigem uma certa estabilidade financeira e neste caso não ainda conseguimos ser sustentados pela nossa música. Todos possuem atividades paralelas para complementar o orçamento, como dar aulas de música, tocar em outros projetos e atuar em outros trabalhos distintos como jornalismo, produção cultural e arte gráfica.

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P.C.P – Recentemente vocês lançaram um novo single. Quando chega o álbum cheio?

Rafael – Nossa intenção é o mais breve possível, as músicas já estão aí, muitas já temos mostrado e testado nos shows, e estamos em processo de pré-produção delas para estarmos prontos pra gravar. A gente está estudando a melhor forma de viabilizar e gravar o álbum cheio com a qualidade pra nos satisfazer e satisfazer as pessoas também. O single “Samba de Fé” é uma prévia mesmo que quisemos lançar do que está por vir, do que temos feito, uma vez que as músicas do EP anterior são composições já de uns bons anos atrás.

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P.C.P – Pra terminar, deixem uma mensagem aos nossos leitores. Valeu.

Karina – Baixe nosso EP pelo nosso myspace (www.myspace.com/rodamundomusic), assista aos nossos vídeos no youtube e não esqueça de deixar sua mensagem pra nós com sua opinião. Termos seu feedback é primordial para a continuidade do nosso trabalho!

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