Einstürzende Neubauten ‎– Halber Mensch (1985)

 

Berlim, metade dos anos 80. Um muro dividia a Alemanha e rasgava a cidade, dividindo-a em dois lados, o oriental e o ocidental. E era neste lado ocidental, uma espécie de ilha cercada pelo tolhimento cultural, que a juventude ocupava os espaços propagando como podiam o que no resto do país era cerceado: a liberdade.

Efervescendo de forma anárquica, muitas vezes turbinado com quantidades gigantescas de drogas, álcool e violência, o submundo musical berlinense da época rompia em verdadeiros manifestos artísticos, e um dos expoentes deste cenário caótico chegava a seu terceiro e explosivo álbum transformando este caos em música. Nascia em 85 “Halber Mensch”, do Einstürzende Neubauten.

Anunciado previamente como ‘um disco com canções de amor’ e ‘dançável de uma maneira bizarra’, o álbum foi produzido por Gareth Jones nos estúdios Berlin Hansa, e apresenta um Neubauten musicalmente mais estruturado, dando mais ritmo à parafernália criada pela própria banda (sucata em geral, bigornas e por aí afora), aliando a essa massa industrial instrumentos ‘tradicionais’ e cobrindo tudo com barulho, muito barulho.

A abertura, com a faixa que nomeia o disco, é assustadora. Quase a capella, serviria tranquilamente como trilha sonora para o pior dos filmes de terror, e ao mesmo tempo em que assusta mostra esse caminho um tanto mais…melódico do grupo, embora melódico talvez não seja a palavra adequada para “Halber Mensch”, já que melodia é normalmente associada a algo que definitivamente não pertence ao conjunto do álbum.

“Yü-Gung (Fütter Mein Ego)” vem na sequência com outra nova faceta do Neubauten: a proximidade ao 4X4 da música industrial que ajudaram a criar e mais ainda de sua herdeira direta, a Electronic Body Music, ou EBM. Essa mesma característica volta à tona com a clássica “Z.N.S”, obrigatória em porões escuros desde seu lançamento até os dias de hoje.

“Halber Mensch” traz também um Blixa Bargeld mais coeso tanto em suas composições quanto na forma de cantar. O disco bate de frente ao status ditatorial do governo alemão, ao controle das mídias e sua nefasta influência sobre a população; ao mesmo tempo, os gritos de Blixa parecem menos dispersos, mais ‘organizados’ em um tipo de poesia caótica, sombria, distópica, relatando sua visão da derrocada humana.

Mas tudo isso, todas essas palavras não explicam a obra criada por Blixa Bargeld, Mark Chung, Alexander Hacke, FM Einheit e N.U. Unruh nem muito menos seu poder de fogo. Ao longo dos últimos 30 anos “Halber Mensch” vem influenciando um sem número de artistas, dos mais fiéis ao caminho iniciado pelo Neubauten aos que se valeram de suas experiências para criar à sua maneira diferentes nuances dentro daquilo que se popularizou como música eletrônica.

Duvida?

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s